Teosofia

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O artigo a seguir foi publicado pela primeira

vez no número um, ano I, da revista

“The Theosophist”, fundada por Helena

Blavatsky na Índia em Outubro de 1879.

O que é Teosofia?
Esta questão tem sido levantada com tamanha frequência, e as concepções equivocadas predominam tão amplamente, que os editores de uma publicação dedicada a uma exposição da teosofia mundial seriam negligentes se o seu primeiro número fosse publicado sem produzir um completo esclarecimento para os seus leitores.  Mas o nosso título implica duas outras questões: o que é a Sociedade Teosófica, e o que são os teosofistas?  Será dada uma resposta a cada uma delas.
Segundo os lexicógrafos, o termo theosophia é composto de duas palavras gregas – theos, “deus”, esophos, “sábio”.  Até aqui, está correto. Mas as explicações que se seguem ficam longe de dar uma ideia clara do que é teosofia.  O dicionário Webster a define, de modo muito original, como “o suposto contato com Deus e espíritos superiores” e a conseqüente obtenção de conhecimento super-humano, por processos físicos, e através das operações teúrgicas de alguns antigos platônicos, ou pelos processos químicos dos filósofos-do-fogo alemães.”
Esta é, para dizer o mínimo, uma explicação precária e desrespeitosa. Atribuir tais ideias a homens como Amônio Saccas, Plotino, Jâmblico, Porfírio e Proclus é uma distorção intencional, ou revela a ignorância do sr. Webster a respeito da filosofia e das intenções dos grandes gênios da escola de Alexandria em sua fase posterior. Atribuir, a aqueles que eram descritos por seus contemporâneos e são vistos pela posteridade como “theodidaktoi” – alunos dos deuses -,  a intenção de desenvolver as suas percepções psicológicas e espirituais por “processos físicos” é o mesmo que descrevê-los como materialistas. Quanto à ironia final, da referência aos filósofos-do-fogo, ela ricocheteia e atinge na verdade os nossos cientistas modernos mais destacados, aqueles a quem o Rev. James Martineau atribui a seguinte ideia: “tudo o que queremos é a matéria física; deem-nos átomos, apenas, e nós explicaremos o universo.”
Vaughan propõe uma definição muito melhor e mais filosófica. “Um teosofista” − diz ele − “é alguém que defende uma teoria de Deus ou das obras de Deus cuja base não é uma revelação, mas uma inspiração própria”.  Deste ponto de vista, todo grande pensador e filósofo, especialmente cada fundador de uma nova religião, escola filosófica ou seita, é necessariamente um teosofista. Portanto, a teosofia e os teosofistas têm existido desde que o primeiro vislumbre de pensamento nascente fez o homem procurar instintivamente pelos meios para expressar as suas opiniões próprias e independentes.
Havia teosofistas antes da era cristã, apesar de os escritores cristãos atribuírem o desenvolvimento do sistema teosófico Eclético à primeira parte do século 3 desta era. Diógenes Laércio localiza a origem da Teosofia em uma época anterior à dinastia dos Ptolomeus; e diz que seu fundador foi um hierofante egípcio chamado Pot-Amun. O nome é copta, e significa “um sacerdote dedicado a Amun” – o deus da Sabedoria. Mas a história mostra que ela foi revivida por Amônio Saccas, o fundador da Escola Neoplatônica. Ele e os seus discípulos chamavam a si mesmos de “filaleteus”, amigos da verdade, enquanto outros os chamavam de “analogistas”, por causa do seu método de interpretar todas as lendas sagradas, mitos e mistérios simbólicos,  por uma regra de analogia ou de correspondência, de modo que acontecimentos que haviam ocorrido no mundo externo eram vistos como expressões das operações e das experiências da alma humana.
A meta e o propósito de Amônio era reconciliar todas as seitas, todos os povos e todas as nações sob uma fé comum – a crença em um Poder Supremo, Eterno, Desconhecido e Sem Nome, que governa o Universo através de leis imutáveis e eternas. Seu objetivo era comprovar a existência de um sistema primitivo de teosofia,  que no início era essencialmente semelhante em todos os países. Ele queria induzir todos os homens a deixar de lado suas discussões e brigas, e uni-los em pensamento e em propósito como filhos de uma mãe comum; e purificar as religiões antigas, gradualmente corrompidas e obscurecidas, libertando-as de toda escória de elementos humanos, unindo-as, e expondo-as com base em elementos puramente filosóficos.
Os sistemas budista,  vedantino e magiano ou zoroastrista eram ensinados na Escola Teosófica Eclética junto com todas as outras filosofias de Grécia. Por isso, também, havia uma característica predominantemente budista e indiana entre os antigos teosofistas e em Alexandria, com uma devida reverência pelos seus pais e pelas pessoas de mais idade; com um afeto fraternal por toda a raça humana, e com um sentimento de compaixão até mesmo pelos animais mudos. Amônio buscava estabelecer um sistema de disciplina moral que ensinava às pessoas o dever de viver de acordo com as leis dos seus países respectivos, e de elevar suas mentes através da pesquisa e da contemplação da única Verdade Absoluta. Ao mesmo tempo, o seu principal objetivo, segundo ele  pensava – e através do qual ele chegaria a todos os outros –  era extrair dos ensinamentos das várias religiões, assim como se faz com um instrumento musical de muitas cordas, uma melodia completa e harmoniosa,  capaz de  provocar uma resposta em todo coração que ama a verdade.
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A teosofia é, portanto, a Religião de Sabedoria dos tempos arcaicos, a doutrina esotérica conhecida em cada país antigo que pretendesse ser civilizado.  Esta “Sabedoria” é mostrada por todos os escritos antigos como tendo emanado do Princípio divino; e a clara compreensão dela é tipificada em personagens tais como o Buddha indiano, o Nebo da Babilônia, o Tot de Mêmfis, o Hermes da Grécia, e através, também, de algumas deusas – Metis, Neitha, Atena, a Sophia gnóstica – e, finalmente, nos Vedas, termo que deriva da palavra “saber”.  Sob esta designação, “sabedoria”, todos os filósofos antigos do Oriente e do Ocidente, os Hierofantes do antigo Egito, os Rishis de Aryavart, os Theodidaktoi da Grécia, incluíam todo o conhecimento das coisas ocultas e essencialmente divinas.  A Mercabá  dos rabinos hebreus, em seu ensinamento secular e popular, era por isso designada como apenas o veículo, a casca externa, que continha o conhecimento esotérico mais elevado. Os Magos de Zoroastro recebiam instrução e eram iniciados em cavernas e lojas secretas da Báctria ; os hierofantes egípcios e gregos tinham os seus apporrheta, ou discursos secretos, durante os quais o Mysta se tornava um Epopta – um vidente.
A ideia central da Teosofia Eclética era a ideia de uma só Essência Suprema, Desconhecida e Incognoscível, porque, “de que modo alguém poderia conhecer o Conhecedor?”, segundo indaga o Brihadaranyaka Upanixade. O seu sistema tinha três características nítidas: a teoria da Essência mencionada acima; a doutrina da alma humana – uma emanação da Essência, e portanto tendo a mesma natureza – e a sua teurgia.  É esta última ciência que levou os neoplatônicos a serem vistos de maneira distorcida em nossa era de ciência materialista.  Como a teurgia era essencialmente a arte de usar os poderes divinos do homem para a dominação das forças cegas da natureza, os seus praticantes foram inicialmente chamados de mágicos – uma derivação da palavra “Magh”, que significa um homem sábio, erudito – e desprezados.  Os céticos de um século atrás teriam cometido o mesmo erro se rissem da ideia de um fonógrafo ou um telégrafo. Aqueles que são ridicularizados e chamados de “infiéis” por uma geração se tornam os homens sábios e os santos da geração seguinte.
Em relação à essência Divina e à natureza da alma e do espírito, a teosofia moderna pensa hoje o mesmo que a teosofia antiga pensava. O popular Diu das nações arianas era idêntico ao Iao dos caldeus, e mesmo ao Júpiter dos romanos que eram menos cultos e menos filosóficos; e era igualmente idêntico ao Jahvé dos Samaritanos, o Tiu ou “Tiusco” dos homens do norte, o Duw dos britânicos, e o Zeus dos trácios. Quanto à Essência Absoluta, o Uno e o todo – o resultado será o mesmo, quer nós aceitemos a filosofia grega pitagórica, a filosofia cabalística dos caldeus, ou a filosofia ariana. A mônada primordial do sistema pitagórico, que se retira à escuridão e que é, ela própria,  a escuridão (para o intelecto humano) é vista como a base de todas as coisas; e podemos encontrar esta ideia, integralmente, nos sistemas filosóficos de Leibnitz e Spinoza. Portanto, o teosofista pode concordar com a Cabala, que, referindo-se a Ain-Soph, propõe a pergunta: “Quem, então, pode compreender Isso, já que Isso não tem forma e é não-existente?”
O teosofista pode lembrar igualmente daquele hino magnífico do Rig-Veda (Hino número 129, Livro Dez), e perguntar:
“Quem sabe de onde surgiu esta grande criação?
Se a sua vontade a criou ou não,
Só ele sabe – ou talvez nem Ele mesmo saiba.”
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O teosofista pode também aceitar a concepção vedantina de Brahma, que nos Upanixades é representado como “sem vida, sem mente, puro”, inconsciente, porque – Brahma é “Consciência Absoluta”. Ele pode ainda ficar ao lado dos Svabhavikas do Nepal, e sustentar que nada existe exceto “Svabhavat” (substância ou natureza), que existe por si mesmo e sem nenhum criador.
Qualquer uma das concepções acima só pode levar à pura e absoluta Teosofia – aquela teosofia que levou homens como Hegel, Fichte e Spinoza a assumir as metas dos velhos filósofos gregos e especular sobre a Substância Única – a Divindade,  o Todo Divino que surge da Sabedoria Divina e que é incompreensível, desconhecido e sem nome, segundo ensinam todas as filosofias religiosas, antigas e modernas, com as exceções do cristianismo e do islamismo.
Todo teosofista, portanto, havendo adotado uma teoria da Divindade “que não tem como base uma revelação, mas sim uma inspiração dele próprio”, pode aceitar qualquer uma das definições acima e pertencer a qualquer uma destas religiões, e ao mesmo tempo permanecer estritamente dentro dos limites da teosofia. Porque a teosofia é a crença na Divindade como o TODO, como a fonte de toda existência, como o infinito que não pode ser nem compreendido nem conhecido;  e só o Universo pode revelar Isso, ou, como alguns preferem, só o universo pode fazer com que Ele seja revelado, atribuindo-se assim um sexo a algo que é uma blasfêmia antropomorfizar.
É verdade que a Teosofia evita a brutal materialização. Ela prefere acreditar que,  estando retirado dentro de si mesmo desde a eternidade, o Espírito da Divindade nem deseja nem cria, mas que, com base no infinito resplendor que alcança todos os lugares desde o Grande Centro, aquilo que produz todas as coisas visíveis e invisíveis é apenas um Raio contendo em si o poder de conceber e gerar, e que esse raio produz, por sua vez, o que os gregos chamaram de Macrocosmo, que os cabalistas chamaram de Tikkun  ou Adão Cadmon – o homem arquetípico – e os arianos  chamaram de Purusha, o Brahm manifesto, ou Macho Divino. A teosofia também acredita na Anastasis ou existência continuada, e na transmigração (evolução), uma série de mudanças na alma que pode ser explicada e defendida com base em princípios estritamente filosóficos, estabelecendo apenas uma distinção entre  Paramatma(alma transcendental, sublime) e Jivatma (alma animal, ou consciente) do sistema dos Vedantinos.
Para definir plenamente Teosofia, devemos considerá-la em todos os seus aspectos. O mundo interior não foi ocultado de todos por alguma escuridão impenetrável. A intuição mais elevada pode ser obtida através da Theosophia ou conhecimento divino,  que leva a mente desde o mundo da forma até o mundo do espírito sem forma. Através dessa intuição, o homem tem sido capaz, em todas as épocas e todos os países, de perceber às vezes coisas no mundo interior ou invisível. Em consequência disso, o “Samadhi” ou Dyan Yog Samadhi [6] dos ascetas hindus; o “Daimonion-photi” ou iluminação espiritual dos neoplatônicos; a “confabulação sideral da alma” dos rosacruzes ou filósofos-do-fogo; e até mesmo o transe em êxtase dos místicos e dos modernos mesmeristas e espíritas são substancialmente idênticos, embora suas manifestações externas sejam variadas.
A busca pelo “eu” mais divino do homem, tão frequente e tão erradamente interpretada como uma comunhão do indivíduo com algum Deus pessoal, era o objetivo de todo místico. A crença na sua viabilidade parece ter sido simultânea com a origem da humanidade. Cada povo deu a isso um nome diferente. Assim, Platão e Plotino chamam de “trabalho noético” aquilo que o iogue e o shrotriya chamam de Vidya. “Através da reflexão, do autoconhecimento e da disciplina intelectual, a alma pode ser elevada até a visão da verdade, da bondade e da beleza eternas – ou seja, até a Visão de Deus – e isso é a epopteia”, diziam os gregos. “Unir a sua própria alma à Alma Universal”, diz Porfírio, “requer apenas uma mente perfeitamente pura. Através da auto-contemplação, de uma perfeita castidade e pureza do corpo, podemos chegar mais perto Disso, e receber, em tal estado, um conhecimento verdadeiro e uma compreensão maravilhosa”.  E Swami Dayanand Saraswati, que não leu Porfírio nem outros autores gregos, mas é um profundo conhecedor dos Vedas, diz em seu Veda Bhashya (ospana prakaru ank. 9): “Para obter Diksh (uma alta iniciação) e alcançar a Ioga, o indivíduo deve ter uma prática de acordo com as regras  (. . . .).  A alma no corpo humano pode realizar as maiores maravilhas através do conhecimento do Espírito Universal (ou Deus) e pode familiarizar-se com as propriedades e qualidades (ocultas) de todas as coisas do universo. Um ser humano (um Dikshit ou iniciado) pode deste modo obter o poder de ver e ouvir a grandes distâncias.”
Finalmente, Alfred R. Wallace, F.R.S., um espiritualista e, no entanto, confessadamente um grande naturalista, afirma com uma corajosa franqueza: “É apenas o ‘espírito’ que sente, e percebe, e pensa – é ele que adquire conhecimento, e raciocina, e tem aspirações . . . .  com alguma frequência, surgem indivíduos constituídos de tal forma que o espírito pode ter percepções independentemente dos órgãos corporais dos sentidos, ou pode, talvez, totalmente ou em parte, sair do corpo por algum tempo e voltar para ele outra vez . . . o espírito . . . se comunica com o espírito mais facilmente que com a matéria.”
Agora que há milhares de anos separando  a época dos Gimnosofistas da nossa era altamente civilizada, podemos ver como, apesar ou talvez por causa da radiância que lança sua luz igualmente sobre os reinos físicos e psicológicos da natureza, mais de vinte milhões de pessoas hoje acreditam, sob uma forma diferente, naqueles mesmos poderes espirituais em que os iogues e os pitagóricos acreditavam cerca de três mil anos atrás. Assim, o místico ariano reivindicava para si mesmo o poder de resolver todos os problemas da vida e da morte, quando ele obtinha o poder de agir independentemente do seu corpo através de Atman – o “eu” ou a “alma”. Ao mesmo tempo, os gregos antigos buscavamAtmu – aquele que é Oculto, a Alma Divina do homem, com o espelho simbólico dos mistérios Tesmoforianos. Do mesmo modo, os espíritas de hoje acreditam na habilidade dos espíritos, ou almas das pessoas desencarnadas, de comunicar-se de modo visível e tangível com aqueles que eles amavam na terra.  E todos estes, os iogues arianos, os filósofos gregos e os espíritas modernos, afirmam esta possibilidade com base no fato de que a alma encarnada e o seu espírito nunca incorporado – o verdadeiro eu  – não estão separados, pelo espaço, nem da Alma Universal nem dos outros espíritos, mas estão separados apenas pela diferença das suas qualidades; porque, na extensão sem fronteiras do universo, não pode haver limitação. E afirmam que esta diferença pode ser removida, através da contemplação abstrata, segundo os gregos e arianos – o que produz uma libertação temporária da Alma prisioneira – e através da mediunidade, de acordo com os espíritas.  Uma vez que esta diferença seja removida, a união entre espíritos encarnados e desencarnados se torna possível.
Era deste modo que os iogues de Patañjali e, seguindo os seus passos, Plotino, Porfírio e outros neoplatônicos, diziam que em suas horas de êxtase eles se haviam unido a Deus, ou, mais precisamente, se haviam tornado um com Deus por diversas vezes ao longo das suas vidas. Esta ideia, embora pareça errada quando aplicada ao Espírito Universal, era, e é, defendida por um número tão grande de filósofos notáveis que não pode ser catalogada como inteiramente quimérica.  No caso dos Theodidaktoi, o único ponto controvertido, o ponto escuro nesta filosofia de extremo misticismo, era a sua tentativa de classificar aquilo que é simplesmente a iluminação do êxtase como uma percepção sensória.  No caso dos Iogues, que sustentavam ser capazes de ver Ishwara “frente a frente”, esta alegação foi corretamente derrubada pela lógica severa de Kapila. Uma ideia similar é sustentada em relação a seus seguidores gregos e a uma longa sucessão de místicos cristãos e, finalmente, também em relação aos dois últimos defensores da ideia de que haviam tido uma “Visão de Deus” dentro destes duzentos anos mais recentes – Jacob Boehme e Swedenborg. Esta pretensão  deveria ter sido questionada, e teria sido de fato questionada do ponto de vista filosófico e do ponto de vista lógico, se alguns dos nossos grandes cientistas que são espíritas tivessem tido mais interesse em filosofia do que nos meros fenômenos do espiritismo.
Os teosofistas de Alexandria estavam divididos em neófitos, iniciados e mestres, e as suas regras eram copiadas dos antigos Mistérios de Orfeu, que, segundo Heródoto, os trouxe da Índia.  Amônio exigia dos seus discípulos, através de um juramento, que não divulgassem as suas doutrinas mais elevadas, exceto para aqueles que houvessem demonstrado ser completamente dignos delas, que fossem iniciados, e que houvessem aprendido a ver os deuses, anjos e demônios dos outros povos de acordo com a hyponia esotérica, o significado subjacente. “Os deuses existem, mas eles não são os que os hoi polloi, a multidão destituída de educação, pensa que eles são”, escreveu Epicuro. “Aquele que nega a existência dos deuses adorados pela multidão não é um ateu; o ateu é aquele que amarra a tais deuses a opinião da multidão”. Por sua vez, Aristóteles declara que, no que diz respeito à “Essência Divina que permeia todo o mundo da natureza, aqueles que são apresentados como deuses são, simplesmente, os princípios primordiais.”
Plotino, o discípulo de Amônio “aluno de Deus”, afirma que a gnose secreta  ou conhecimento da Teosofia tem três graus: a opinião, a ciência e a iluminação. “O meio ou instrumento do primeiro são os sentidos, ou a percepção; do segundo, é a dialética; do terceiro, é a intuição.  A razão é subordinada à intuição; esta última é conhecimento absoluto,  fundado na identificação da mente com o objeto conhecido.”
A teosofia é a ciência exata da psicologia, de certo modo. Ela está para a mediunidade natural, não-cultivada, assim como o conhecimento de um Tyndall  está para o conhecimento de um aluno de escola primária, a respeito de Física. Ela desenvolve no homem uma visão direta; aquilo que Schelling denomina de “uma compreensão da identidade do sujeito com o objeto, no indivíduo; de modo que sob a influência e o conhecimento da hyponia o homem produz pensamentos divinos, vê todas as coisas como elas realmente são, e, finalmente, “se torna um receptáculo da Alma do Mundo” para usar uma das imagens mais brilhantes de Emerson. “Eu, o imperfeito, adoro o meu próprio perfeito”, diz ele em seu excelente ensaio sobre a Alma Maior (“Oversoul”).  Além deste estado psicológico ou estado de alma, a teosofia cultivava todas as áreas das ciências e das artes. Ela estava completamente familiarizada com o que agora é conhecido como mesmerismo.  A teurgia prática ou “magia cerimonial”, à qual o clero católico romano recorre com tanta frequência nos seus exorcismos – era deixada de lado pelos teosofistas. Foi apenas Jâmblico que, transcendendo os outros Ecléticos, acrescentou à teosofia a doutrina da teurgia.
Quando ignora o verdadeiro significado dos símbolos esotéricos e divinos da natureza, o homem tende a calcular erradamente os poderes da sua alma, e, ao invés de comunicar-se espiritual e mentalmente com os seres mais elevados e celestiais, os bons espíritos (os deuses dos teurgistas da escola platônica) ele inconscientemente evoca os poderes maus, escuros, que estão à espreita em torno da humanidade – as criações imorredouras, desagradáveis, de crimes e vícios humanos – e assim caem da teurgia (magia branca) na goetia  (ou magia negra, feitiçaria). No entanto, nem a magia branca nem a magia negra são o que a superstição popular entende por estes termos.  A possibilidade de “evocar espíritos” de acordo com a chave de Salomão é o ponto mais alto da superstição e da ignorância. Só a pureza de ações e de pensamento pode erguer-nos até o contato “com os deuses” e trazer até nós a meta que desejamos. A alquimia, que é considerada por tantos como tendo sido ao mesmo tempo uma filosofia espiritual e uma ciência física, pertencia aos ensinamentos da escola teosófica.
É um fato perceptível que nem Zoroastro, nem Buddha, Orfeu, Pitágoras, Confúcio, Sócrates ou Amônio Saccas escreveram coisa alguma.  A razão disso é óbvia. A teosofia é uma arma de dois gumes, e é inadequada para o ignorante e para o egoísta. Como toda filosofia antiga, ela tem os seus seguidores entre os modernos. Mas, até recentemente, os seus discípulos eram poucos em número, e eram das mais variadas seitas e opiniões. “Inteiramente especulativos, e não tendo fundado escola alguma, eles exerceram ainda assim uma influência silenciosa sobre a filosofia; e, sem dúvida, no momento certo, muitas ideias assim propostas silenciosamente poderão no entanto dar novos direcionamentos ao pensamento humano” – escreve o sr. Kenneth R.H. Mackenzie XI , ele próprio um místico e um teosofista, em sua grande e valiosa obra “The Royal Masonic Cyclopaedia” (Enciclopédia Real Maçônica) (ver artigos intitulados “Theosophical Society of New York”  e “Theosophy”, p. 731).
Desde os dias dos filósofos-do-fogo, eles nunca se haviam organizado em sociedades, porque eram caçados pelo clero cristão como se fossem animais selvagens, e, até um século atrás, ser conhecido como um Teosofista frequentemente significava o mesmo que uma condenação à morte.
As estatísticas mostram que, durante um período de 150 anos, não menos que 90 mil homens e mulheres foram queimados na Europa, com base em alegações de feitiçaria. Só na Grã-Bretanha, entre o ano de 1640 e o ano de 1660, apenas vinte anos, três mil pessoas foram mortas por supostos pactos com o “Demônio”.  Foi apenas na parte final deste século – em 1875 – que alguns místicos e espíritas avançados, insatisfeitos com as teorias e explicações do espiritismo, e vendo que elas estavam longe de cobrir todo o campo de fenômenos, formaram em Nova Iorque, na América do Norte, uma associação que é agora amplamente conhecida como Sociedade Teosófica.

O EU SUPERIOR, NOSSO VERDADEIRO MESTRE

A INCORPORAÇÃO DO EU SUPERIOR

A INCORPORAÇÃO DO EU SUPERIOR, É UM PROCESSO QUE CONSISTE BASICAMENTE NUMA TRANSFORMAÇÃO GRADUAL DOS CORPOS DE MANIFESTAÇÃO, ATRAVÉS DA “DESCIDA” DE UMA CONSCIÊNCIA SUPERIOR, DAS ESFERAS MAIS SUTIS ÀS MAIS DENSAS.

COMENTAREMOS AQUI ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DESTE PROCESSO, PARA QUE O MESMO POSSA SER RECONHECIDO POR VOCÊ, UMA VEZ QUE ESTEJA PASSANDO POR ELE.

TODOS OS SERES HUMANOS, DENTRO DE SEUS SISTEMAS DE PENSAMENTO, POSSUEM PADRÕES DETERMINADOS DE COMPORTAMENTO, DETALHADAMENTE PROGRAMADOS PELOS CÓDIGOS GENÉTICOS. ESTES PADRÕES PODEM SER INCRIVELMENTE ALTERADOS, RESULTANDO ASSIM NUMA REPROGRAMAÇÃO GENÉTICA DE TODO O CORPO HUMANO. POR QUE MOTIVO ESTES PADRÕES SÃO ALTERADOS?

QUANDO EXISTE UMA PROGRAMAÇÃO EXISTENCIAL PARA DETERMINADA PESSOA, NO SENTIDO DE QUE ELA VOLTE À SUA ORIGEM ESPIRITUAL ENQUANTO ENCARNADA, ATRAVÉS DE UM LONGO PROCESSO, OCORREM ESTAS ALTERAÇÕES DE PADRÃO GENÉTICO. ESTES PROCESSOS RARAMENTE OCORREM E QUANDO OCORREM SÃO TOTALMENTE GUIADOS PELO ALTO. TRATA-SE NA VERDADE DE TODA UMA CIÊNCIA ESPIRITUAL RELACIONADA A ESTE PROCESSO. EVIDENTEMENTE, NÃO FORNECEREMOS AQUI DADOS CIENTÍFICOS. O IMPORTANTE É QUE SE POSSA TER UMA COMPREENSÃO BÁSICA DO PROCESSO. PARA AQUELES QUE JÁ ESTÃO PASSANDO PELO PROCESSO, NÃO SERÁ MUITO DIFÍCIL IDENTIFICAR-SE COM ELE.

APÓS UM LONGO TEMPO DE EXPERIÊNCIAS DO SER HUMANO NO MUNDO MATERIAL, E UMA ADAPTAÇÃO BÁSICA A ELE, SUCEDE UMA ETAPA IMPORTANTE NA VIDA DESTE SER. A PRINCÍPIO, ESTA SEGUNDA ETAPA PODERÁ OFERECER DIFICULDADE DE COMPREENSÃO POR PARTE DA PESSOA ENVOLVIDA NO PROCESSO. O MOTIVO DESTA DIFICULDADE, É O SENTIMENTO DE DESCONTINUIDADE EM RELAÇÃO AOS PADRÕES COMUNS DO PLANO FÍSICO, À MEDIDA QUE NO SENTIDO ESPIRITUAL NÃO HÁ DESCONTINUIDADE, MAS SIM UMA CONTINUIDADE.

NESTA IMPORTANTE ETAPA, SUCEDERÃO IMPORTANTES E ESSENCIAIS MUDANÇAS NOS CONCEITOS RELACIONADOS À VIDA DE UMA FORMA GERAL. ESTA MUDANÇA DE CONCEITOS COMEÇA A OCORRER NO INCONSCIENTE, PROCURANDO EXPANDIR-SE ATÉ A MENTE CONCRETA, RESULTANDO TAMBÉM NUMA MUDANÇA DE COMPORTAMENTOS E ATITUDES.

O QUE OCORRE NESTA ETAPA, ESSENCIALMENTE, É UMA REAVALIAÇÃO TOTAL DOS CONCEITOS CULTUADOS PELA PESSOA DURANTE MUITO TEMPO. CONCEITOS ANTES COMUNS SE TORNARÃO AGORA CONCEITOS VELHOS E CADA VEZ MAIS INÚTEIS. ESTES CONCEITOS, PORTANTO, PERDERÃO SEU ESPAÇO GRADATIVAMENTE PARA OS PRINCÍPIOS DE ORDEM SUPERIOR. HAVERÁ UMA INTOLERÂNCIA DA PESSOA PARA COM ELA MESMA, COM A SUA PRÓPRIA MANEIRA DE SER. ISTO SIGNIFICA QUE ELA NÃO MAIS SE ACEITA COMO É NO MOMENTO, POIS EXISTE UMA COBRANÇA INCONSCIENTE, NO SENTIDO DE UM APRIMORAMENTO MAIS RÁPIDO DE TODAS AS IMPERFEIÇÕES DO SER HUMANO.

ESTAS IMPERFEIÇÕES AFLORARÃO, PARA QUE POSSAM SER DEVIDAMENTE TRABALHADAS. ESTAMOS NOS REFERINDO A IMPERFEIÇÕES DE ORDEM GENÉTICA, MENTAL E CORPORAL. PODERÍAMOS DIZER QUE TAIS IMPERFEIÇÕES SÃO TAMBÉM, E PORQUE NÃO, IMPUREZAS ESPIRITUAIS. ASSIM, PODEMOS DIZER TAMBÉM QUE O PROCESSO ESTÁ RELACIONADO A UMA PURIFICAÇÃO DOS CORPOS INFERIORES. ESTA PURIFICAÇÃO OCORRE ATRAVÉS DE UMA SUBSTITUIÇÃO DE PENSAMENTOS NOCIVOS AO SER HUMANO, PENSAMENTOS ESTES ASSOCIADOS DIRETAMENTE ÀS TREVAS, OU ENTÃO IMPOSTOS POR ELAS.

À MEDIDA QUE SE TENHA A COMPREENSÃO DO QUANTO NÓS SOMOS LIVRES PARA EXPRESSAR NOSSO PENSAMENTO, VEREMOS O QUANTO FOMOS MANIPULADOS NO PASSADO E QUANTA LIBERDADE AINDA PODEMOS CONQUISTAR, MESMO EM MEIO A TANTOS SISTEMAS OPRESSORES NA SOCIEDADE E NO PENSAMENTO DA POPULAÇÃO DE MASSA. A MAIOR DESCOBERTA QUE SE FARÁ, EM TAL OCASIÃO, É JUSTAMENTE PERCEBER QUE NÓS SOMOS LIVRES E INDEPENDENTES DESTA SOCIEDADE, EMBORA POSSAMOS TER MUITO VÍNCULOS COM ELA, O QUE É ABSOLUTAMENTE NORMAL E NATURAL.

TODO ESTE PROCESSO, TEM UM OBJETIVO FINAL. ESTE OBJETIVO É PERMITIR UMA MANIFESTAÇÃO MAIS PLENA DE NOSSO EU SUPERIOR ATRAVÉS DE NOSSA PRESENÇA FÍSICA. TRATA-SE, PORTANTO, DE UM PROCESSO DE ANCORAMENTO DE FREQUÊNCIAS ELEVADAS À SUPERFÍCIE FÍSICA. O OBJETIVO É FAZER COM QUE AS FREQUÊNCIAS ELEVADAS TENHAM CADA VEZ MAIS ESPAÇO PARA SE MANIFESTAR ATRAVÉS DO CORPO FÍSICO E DA MENTE, FAZENDO ASSIM COM QUE TAL FREQUÊNCIA TORNE-SE CONSTANTE NO PLANO FÍSICO.

À MEDIDA QUE AS FREQUÊNCIAS TORNAM-SE CONSTANTES NO PLANO FÍSICO, SIGNIFICA QUE ESTAS FREQUÊNCIAS ESTÃO SENDO ANCORADAS COM SUCESSO. E O QUE SIGNIFICA ISSO? SIGNIFICA UM GRANDE BENEFÍCIO PARA O INCONSCIENTE COLETIVO, QUE RECEBERÁ UMA FREQUÊNCIA MAIS ALTA E MAIS FACILMENTE PODERÁ INSPIRAR OS CORAÇÕES RECEPTIVOS A DESPERTAREM PARA ESTA NOVA REALIDADE DA NOVA ERA, QUE AOS POUCOS SE CONCRETIZA. O CRESCIMENTO ESPIRITUAL DE UMA PESSOA, CAUSA UM EFEITO SEMELHANTE A TODAS AS PESSOAS AO SEU REDOR.

SE UMA PESSOA EVOLUI, AS PESSOAS AO SEU REDOR TAMBÉM ACOMPANHARÃO ESTA EVOLUÇÃO, DE FORMA GRADUAL. EXISTEM ATUALMENTE MUITOS SERES ENCARNADOS, QUE VIERAM AO MUNDO EXATAMENTE COM ESTA MISSÃO DE ANCORAMENTO DESTAS FREQUÊNCIAS ELEVADAS. APENAS UMA PESSOA EM METAMORFOSE JÁ POSSUI EM SI A POSSIBILIDADE DE MODIFICAR O MUNDO, ATRAVÉS DA EVOLUÇÃO DO SEU PROCESSO INDIVIDUAL. PORÉM, COMO EXISTEM MUITAS PESSOAS QUE ESTÃO TRABALHANDO NESTE PROCESSO, UMA IMENSA REAÇÃO EM CADEIA FAZ COM QUE O MUNDO, COMO UM TODO, RECEBA GRADUAIS AVANÇOS DE CONSCIÊNCIA PLANETÁRIA. ESTA CONSCIÊNCIA PLANETÁRIA É A CONSCIÊNCIA DO TODO, A ESSÊNCIA DO PENSAMENTO DE TODOS OS HABITANTES DO PLANETA TERRA.

SIMBOLICAMENTE, O PROCESSO DE INCORPORAÇÃO DO EU SUPERIOR À CONSCIÊNCIA PODE SER DESCRITO COMO UM SER ESPIRITUAL DE ELEVADÍSSIMA EVOLUÇÃO, QUE “DESCE” E INCORPORA-SE AO CORPO FÍSICO. MAS ESTA INCORPORAÇÃO É NA VERDADE UM GRADUAL PROCESSO DE ACOPLAMENTO, E NUNCA SE DARÁ DE UMA FORMA ABRUPTA. ESTE PROCESSO DE ACOPLAMENTO É TÃO GRADUAL QUE PODE DURAR POR MUITOS E MUITOS ANOS.

À MEDIDA QUE O ACOPLAMENTO OCORRE, A CONSCIÊNCIA SE TORNARÁ MENOS OSCILANTE ENTRE A LUZ E AS TREVAS, CAUSANDO A INTEGRAÇÃO DAS DUAS FORÇAS ATRAVÉS DE UM PROCESSO DE TRANSMUTAÇÃO DAS NEGATIVIDADES. TAMBÉM DURANTE O ACOPLAMENTO, HAVERÁ A ATIVAÇÃO DO SISTEMA ÁUDIO-VISUAL DA PESSOA. PODERÃO SER VISTOS PONTOS DE LUZ, ALGUNS SE MOVIMENTANDO RAPIDAMENTE, COMO PEQUENAS ESTRELAS FAISCANTES.

UMA INTENSA CIRCULAÇÃO DE ENERGIAS PELO CORPO SERÁ CONSTANTE, A PARTIR DE UM DETERMINADO ESTÁGIO DO PROCESSO. PODERÃO HAVER TREMORES CORPORAIS, ALGUNS DE FORMA MENOS INTENSA, OUTROS NÃO. A PULSAÇÃO SANGUÍNEA PODE TORNAR-SE INCRIVELMENTE ACELERADA. TUDO ISSO É DEVIDAMENTE CONTROLADO PELO ALTO E PELOS SERES DE LUZ, NÃO HAVENDO, PORTANTO, NENHUM RISCO DE QUALQUER ESPÉCIE PARA ESTAS PESSOAS.

TUDO VISA A INTEGRAÇÃO E ADAPTAÇÃO CONSCIENTE DA PRÓPRIA DIVINDADE, PODENDO-SE ENTÃO MAIS FACILMENTE VISLUMBRAR-SE NO UNIVERSO INTERIOR, UM CENÁRIO MAIS APROXIMADO DE NOSSOS ANSEIOS INTERIORES. À MEDIDA QUE O INTERIOR SE MODIFICA, O EXTERIOR TAMBÉM ACOMPANHARÁ ESTA EVOLUÇÃO. PERCEBA COMO A SUA FORMA DE OBSERVAR O MUNDO SE MODIFICARÁ. VEJA COMO TUDO SE TORNA MAIS BELO E MAIS SIMPLES.

UTILIZE-SE DESTES PROCESSOS PARA O SEU PRÓPRIO BENEFÍCIO, AO INVÉS DE ENTREGAR-SE A SOFRIMENTOS EVENTUALMENTE OCASIONADOS POR ESTAS MUDANÇAS. PROCURE COMPREENDER, PARA OBTER A COMPREENSÃO QUE TANTO DESEJA. BUSQUE AS SUAS RESPOSTAS NO MAIS ÍNTIMO DE SUA ESSÊNCIA. INVOQUE A SUA PRESENÇA EU SOU, E TUDO SE TORNARÁ MAIS CLARO, MESMO NOS MOMENTOS MAIS DIFÍCEIS. LEMBRE-SE SEMPRE: VOCÊ É A IMAGEM E A PRESENÇA VIVA DO AMOR!

Fonte: Livro ‘O EU SUPERIOR’ de Leandro Pires

Silêncio

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Por- Anthony Strano. Diretor dos Centros da Brahma Kumaris na Grécia, Hungria e Turquia. Este artigo foi extraído de sua brochura “The Alpha Point” (O Ponto Alfa), publicado pela Brahma Kumaris Information Services Ltd., Londres, 1998.

Anthony Strano aponta o caminho para uma conversa com Deus.

Quando o silêncio é profundo, transbordante de plenitude, quando não há mais nenhum desejo de som, quando há concentração completa em Deus, então, o pensamento, como uma flecha, encontra e se funde com sua meta; lá, a alma humana não apenas vê Deus, mas é absorvida na pureza daquele Ser; absorvida totalmente, completamente, absolutamente. Preenchida com a luz pura que agora se tornou seu ser, a alma irradia essa energia como paz e amor pelos outros; um farol vivo.

O silêncio é a ponte de comunicação entre o Divino e o divino no humano. O silêncio é o lugar onde eu encontro o que é mais precioso.

O silêncio espiritual é o posicionamento do coração e da mente em prontidão para a comunicação com Deus. Nem a comunicação é baseada nas palavras repetitivas, nem nas teorias intelectuais nem em pedir a satisfação de desejos limitados. A comunicação sagrada é a harmonização do “eu” original com O Eterno.

O silêncio espiritual me dá a energia pura e altruísta da Fonte Criadora, para sair do casulo da poeira e da rotina, abrindo os horizontes ilimitados de uma nova visão. Para me liberar da negatividade, preciso de silêncio. Absorto nas profundezas, eu me renovo. Nessa renovação, a mente fica limpa, facilitando uma percepção diferente da realidade. A percepção mais profunda de todas é a minha própria eternidade.

O ato de silêncio é tão necessário para viver, quanto a respiração o é para a vida física. A força para viver precisa encontrar um ponto de tranquilidade a partir do qual eu começo e para o qual eu retorno todos os dias: um oásis de paz interior. O silêncio leva minha energia mental e emocional para um ponto de concentração, no qual posso ficar tranquilo. Sem essa tranquilidade interior, transformo-me numa marionete, puxada para lá e para cá por muitos cordões das influências externas diferentes. Esse ponto interno de tranquilidade é a semente da autonomia, que corta os cordões, e então interrompe a perda de energia.

O silêncio cura. O silêncio é como um espelho. Tudo é limpo. O espelho não culpa nem critica, mas me ajuda a ver as coisas como são, oferecendo um diagnóstico que me libera de todos os tipos de pensamentos errados. Como o silêncio faz isso? O silêncio renova a paz original do “eu”; uma paz que é inata, divina e, quando invocada, flui através do próprio ser, harmonizando e curando cada desequilíbrio. O silêncio é preenchido e preenche; gentil, poderosa e consistentemente ativo.

Para criar silêncio, dou um passo para dentro. Conecto-me com o meu “eu” eterno, a alma. Nesse espaço de perfeita tranquilidade, como em um ventre eterno, o processo de renovação e reestruturação começa. Lá, um novo padrão de energia pura é tecido.

Nesse espaço introspectivo, eu reflito. Lembro-me do que foi esquecido há muito tempo. Concentro-me vagarosamente e gentilmente e, ao fazer isso, aquelas marcas espirituais originais de amor, verdade e paz emergem e são sentidas como realidades pessoais e eternas. Através disso, a qualidade começa a entrar na vida. A qualidade é a proximidade com algo mais puro e mais verdadeiro em nós mesmos. A qualidade é o princípio para um pensamento mais iluminado e para a integridade da ação. Nesse espaço, o silêncio me ensina a ouvir, a desenvolver uma abertura para Deus.

Ouvir me leva à minha posição correta, abrindo o canal de receptividade. A receptividade me alinha com a realidade de Deus; um alinhamento muito necessário, se eu quiser conhecer verdadeiramente e me unir a Ele. Para a receptividade, devo me limpar de mim mesmo. Devo ficar limpo, desnudado, simples, despido de artificialidade, então, a comunicação genuína começa.

Ao ouvir, recebo. Ao receber, sinto e reflito, entrando gradualmente na concentração. A concentração é quando estou completamente absorto num pensamento. Onde há amor, a concentração é natural e constante, como a chama parada de uma vela irradiando sua aura de luz. O pensamento no qual estou absorto se torna o próprio mundo. Quando a mente humana está absorta no pensamento de Deus, a pessoa se sente ressuscitada; a harmonia de reconciliação é profundamente sentida. Nessa conexão silenciosa de amor, a pessoa se torna plenamente reconciliada, não como um processo intelectual, mas como um estado do ser. Eu desperto. Esse despertar é o lugar onde estou completamente consciente da Verdade. Simultaneamente, torno-me consciente das ilusões em mim e ao meu redor, e do esforço necessário para removê-las.

Esse despertar me permite responder e receber o que eu não perceberia normalmente, em níveis naturais ou sobrenaturais. No despertar, nesse estado elevado de conhecimento, uma pessoa se espiritualiza; ele ou ela se torna um ser mais verdadeiro. Dentro do silêncio, os raios sutis invisíveis de pensamento concentrado se encontram com Deus – esse é o poder do silêncio; isso é frequentemente chamado de meditação. O som não pode atingir esse encontro com Deus. O som só pode louvar e glorificar, através da música e do canto, a proximidade da união com o Divino; mas não pode criá-lo. Somente o silêncio cria a experiência prática da união.

O silêncio concentrado é o foco sem palavras da atenção pura em Deus. O amor por Ele torna o foco fácil e constante, preenchido. Essa proximidade do “eu” com o Supremo inevitavelmente inspira o desejo para a mudança em si; inspiração para melhorar-se, para tornar-se digno ao preencher o potencial original e, na medida do possível, compartilhar os frutos do potencial realizado com os outros. Essa partilha não é alcançada através de dizer muito, mas ao invés disso, através da integridade do exemplo pessoal.

No silêncio, a orientação mais profunda da consciência é o desejo de atingir a perfeição pessoal. Esse desejo é um resultado do fluxo divino de energia entrando na consciência humana e inspirando a crença no valor de si mesmo. A perfeição pessoal é aceita como possível. É a fé doada por Deus como um presente para a alma. A possibilidade da perfeição é aceita porque a alma sabe que não está só em seus esforços, ela tem constantemente o suporte do Amor Divino para chegar à sua meta.

Nessa conexão com Deus, a alma se preenche e se sente completa; ela encontrou o que estava procurando. O amor divino trabalha especialmente através do silêncio; a alma é desperta de seu sono da ignorância e recebe nova vida, como na história da Bela Adormecida. A alma é a Bela Adormecida, Deus é o príncipe e a ignorância é a bruxa que conjura sua maldição mágica de sono sobre a princesa. O amor de Deus pela alma é tal que ele não é barrado por nenhuma escuridão ou barreira, mas atinge a alma para despertá-la, trazendo-a de volta à vida, de volta à realidade. O amor quebra o feitiço de ferro.

É através do Amor que eu, como alma, sou despertado e reconheço minha eternidade. Minha realidade é muito mais do que minha aparência material. Minha eternidade é minha realidade. Essa é a verdade de minha existência. Em grego, a palavra para verdade é alithea, que significa “para não esquecer”. O ser humano está sob um esquecimento muito profundo; uma amnesia do espírito. Eu não posso atingir o estado desperto, o estado verdadeiro de mim mesmo com minhas próprias habilidades de intelecto. O alcance da Verdade não é uma questão de esperteza. Eu só posso despertar quando Deus me ajudar a me lembrar. Lembrar-se é um conhecimento verdadeiro; é a Verdade.

Para alcançar a mudança interior, o silêncio tem de ser preenchido com amor, não apenas com paz. Muitos pensam que é suficiente apenas experimentar paz no silêncio da meditação para atingir a transformação da consciência. A paz estabiliza; a paz harmoniza e silencia gentilmente. A paz coloca a fundação. Contudo, o amor inspira ativamente; o amor move o universo. O amor move todas as coisas em direção à sua liberdade e felicidade originais.

Ambos, paz e amor, são necessários e sua forma arquetípica vem de Deus, a Fonte Universal e Imutável. É esse silêncio pleno de Deus que restaura um ser humano e a terra para seu estado original.

No silêncio, nós realizamos que não é apenas um retorno às raízes; mas, até mais, é um retorno à Semente, ao Início; é um retorno para Deus, um retorno para mim mesmo, um retorno para um relacionamento correto.

Ramatís

RAMATIS Uma Rápida Biografia A ÚLTIMA ENCARNAÇÃO DE RAMATIS SWAMI SRI RAMATIS

Na Indochina do século X, o amor por um tapeceiro hindu, arrebata o coração de uma vestal chinesa, que foge do templo para desposa-lo. Do entrelaçamento dessas duas almas apaixonadas nasce uma criança. Um menino, cabelos negros como ébano, pele na cor do cobre claro, olhos aveludados no tom do castanho escuro, iluminados de ternura. O espírito que ali reencarnava, trazia gravada na memória espiritual a missão de estimular as almas desejosas de conhecer a verdade. Aquela criança cresce demonstrando inteligência fulgurante, fruto de experiências adquiridas em encarnações anteriores.

Foi instrutor em um dos muitos santuários iniciáticos na Índia. Era muito inteligente e desencarnou bastante moço. Já se havia distinguido no século IV, tendo participado do ciclo ariano, nos acontecimentos que inspiraram o famoso poema hindu “Ramaiana”, (neste poema há um casal, Rama e Sita, que é símbolo iniciático de princípios masculino e feminino; unindo-se Rama e atis, Sita ao inverso, resulta Ramaatis, como realmente se pronuncia em Indochinês) Um épico que conte todas as informações dos Vedas que juntamente com os Upanishades, foram as primeiras vozes da filosofia e da religião do mundo terrestre, informa Ramatis que após certa disciplina iniciática a que se submetera na china, fundou um pequeno templo iniciático nas terras sagradas da Índia onde os antigos Mahatmas criaram um ambiente de tamanha grandeza espiritual para seu povo, que ainda hoje, nenhum estrangeiro visita aquelas terras sem de lá trazer as mais profundas impressões à cerca de sua atmosfera psíquica. Foi adepto da tradição de Rama, naquela época, cultuando os ensinamentos do “Reino de Osiris”, o Senhor da Luz, na inteligência das coisas divinas. Mais tarde, no Espaço, filiouse definitivamente a um grupo de trabalhadores espirituais cuja insígnia, em linguagem ocidental, era conhecida sob a pitoresca denominação de “Templários das cadeias do amor”.

Trata-se de um agrupamento quase desconhecido nas colônias invisíveis do além, junto a região do Ocidente, onde se dedica a trabalhos profundamente ligados à psicologia Oriental. Os que lêem as mensagens de Ramatis e estão familiarizados com o simbolismo do Oriente, bem sabe o que representa o nome “RAMA-TIS”, ou “SWAMI SRI RAMA-TYS”, como era conhecido nos santuários da época. É quase uma “chave”, uma designação de hierarquia ou dinastia espiritual, que explica o emprego de certas expressões que transcendem as próprias formas objetivas. Rama o nome que se dá a própria divindade, o Criador cuja força criadora emana ; é um Mantram: os princípios masculino e feminino contidos em todas as coisas e seres. Ao pronunciarmos seu nome Ramaatis como realmente se pronuncia, saudamos o Deus que se encontra no interior de cada ser.

O templo por ele fundado foi erguido pelas mãos de seus primeiros discípulos. Cada pedra de alvenaria recebeu o toque magnético pessoal dos futuros iniciados. Nesse templo ele procurou aplicar a seus discípulos os conhecimentos adquiridos em inúmeras vidas anteriores. Na Atlântida foi contemporâneo do espírito que mais tarde seria conhecido como Alan Kardec e, na época, era profundamente dedicado à matemática e às chamadas ciências positivas. Posteriormente, em sua passagem pelo Egito, no templo do faraó Mernefta, filho de Ramsés, teve novo encontro com Kardec, que era, então, o sacerdote Amenófis. No período em que se encontrava em ebulição os princípios e teses esposados por Sócrates, Platão, Diógenes e mais tarde cultuados por Antístenes, viveu este espírito na Grécia na figura de conhecido mentor helênico, pregando entre discípulos ligados por grande afinidade espiritual a imortalidade da alma, cuja purificação ocorreria através de sucessivas reencarnações. Seus ensinamentos buscavam acentuar a consciência do dever, a auto reflexão, e mostravam tendências nítidas de espiritualizar a vida. Nesse convite a espiritualização incluía-se no cultivo da música, da matemática e astronomia. Cuidadosamente observando o deslocamento dos astros conclui que uma Ordem Superior domina o Universo. Muitas foram suas encarnações, ele próprio afirma ser um número sideral. O templo que Ramatis fundou, foi erguido pelas mãos de seus primeiros discípulos e admiradores. Alguns deles estão atualmente reencarnados em nosso mundo, e já reconheceram o antigo mestre através desse toque misterioso, que não pode ser explicado na linguagem humana. Embora tendo desencarnado ainda moço, Ramatis aliciou 72 discípulos que, no entanto, após o desaparecimento do mestre, não puderam manter-se a altura do padrão iniciático original. Eram adeptos provindos de diversas correntes religiosas e espiritualistas do Egito, Índia, Grécia, China e até mesmo da Arábia. Apenas 17 conseguiram envergar a simbólica “Túnica Azul” e alcançar o último grau daquele ciclo iniciático. Em meados da década de 50, à exceção de 26 adeptos que estavam no Espaço (desencarnados) cooperando nos trabalhos da “Fraternidade da Cruz e do Triângulo”, o 11 restante havia se disseminado pelo nosso orbe, em várias latitudes geográficas. Destes, 18 reencarnaram no Brasil, 6 nas três Américas (do Sul, Central e do Norte), e os demais se espalharam pela Europa e, principalmente, pela Ásia. Em virtude de estar a Europa atingindo o final de sua missão civilizadora, alguns dos discípulos lá reencarnados emigrarão para o Brasil, em cujo território – afirma Ramatis – se encarnarão os predecessores da generosa humanidade do terceiro milênio.

A Fraternidade da Cruz e do Triângulo, foi resultado da fusão no século passado, na região do Oriente, de duas importantes “Fraternidades” que operavam do Espaço em favor dos habitantes da Terra. Trata-se da “Fraternidade da Cruz”, com ação no Ocidente, divulgando os ensinamentos de Jesus, e da “Fraternidade do Triângulo”, ligada à tradição iniciática e espiritual do Oriente. Após a fusão destas duas Fraternidades Brancas, consolidaram-se melhor as características psicológicas e objetivo dos seus trabalhadores espirituais, alterandose a denominação para “Fraternidade da Cruz e do Triângulo” da qual Ramatis é um dos fundadores. Supervisiona diversas tarefas ligadas aos seus discípulos na Metrópole Astral do Grande Coração. Segundo informações de seus psicógrafos, atualmente participa de um colegiado no Astral de Marte. Seus membros, no Espaço, usam vestes brancas, com cintos e emblemas de cor azul claro esverdeada. Sobre o peito trazem delicada corrente como que confeccionada em fina ourivesaria, na qual se ostenta um triângulo de suave lilás luminoso, emoldurando uma cruz lirial. É o símbolo que exalta, na figura da cruz alabastrina, a obra sacrificial de Jesus e, na efígie do triângulo, a mística oriental. Asseguram-nos alguns mentores que todos os discípulos dessa Fraternidade que se encontram reencarnados na Terra são profundamente devotados às duas correntes espiritualistas: a oriental e a ocidental. Cultuam tanto os ensinamentos de Jesus, que foi o elo definitivo entre todos os instrutores terráqueos, tanto quanto os labores de Antúlio, de Hermés, de Buda, assim como os esforços de Confúcio e de Lao-Tseu. É esse um dos motivos pelos quais a maioria dos simpatizantes de Ramatis, na Terra, embora profundamente devotados à filosofia cristã, afeiçoam-se, também, com profundo respeito, à corrente espiritualista do Oriente. Soubemos que da fusão das duas “Fraternidades” realizada no espaço, surgiram extraordinários benefícios para a Terra.

Alguns mentores espirituais passaram, então, a atuar no Ocidente, incumbindo-se mesmo da orientação de certos trabalhos espíritas, no campo mediúnico, enquanto que outros instrutores ocidentais passaram a atuar na Índia, no Egito, na China e em vários agrupamentos que até agora eram exclusivamente supervisionados pela antiga Fraternidade do Triângulo.

Os Espíritos orientais ajudam-nos em nossos trabalhos, ao mesmo tempo em que os da nossa região interpenetram os agrupamentos doutrinários do Oriente, do que resulta ampliarse o sentimento de fraternidade entre Oriente e Ocidente, bem como aumentar-se a oportunidade de reencarnações entre espíritos amigos. 12 Assim processa-se um salutar intercâmbio de idéias e perfeita identificação de sentimentos no mesmo labor espiritual, embora se diferenciem os conteúdos psicológicos de cada hemisfério. Os orientais são lunares, meditativos, passivos e desinteressados geralmente da fenomenologia exterior; os ocidentais são dinâmicos, solarianos, objetivos e estudiosos dos aspectos transitórios da forma e do mundo dos Espíritos. Os antigos fraternistas do “Triângulo” são exímios operadores com as “correntes terapêuticas azuis”, que podem ser aplicadas como energia balsamizante aos sofrimentos psíquicos, cruciais, das vítimas de longas obsessões. As emanações do azul claro, com nuanças para o esmeralda, além do efeito balsamizante, dissociam certos estigmas “pré- reencarnatórios” e que se reproduzem periodicamente nos veículos etéricos. Ao mesmo tempo, os fraternistas da “Cruz”, conforme nos informa Ramatis, preferem operar com as correntes alaranjadas, vivas e claras, por vezes mescladas do carmim puro, visto que as consideram mais positivas na ação de aliviar o sofrimento psíquico. É de notar, entretanto, que, enquanto os técnicos ocidentais procuram eliminar de vez a dor, os terapeutas orientais, mais afeitos à crença no fatalismo cármico, da psicologia asiática, preferem exercer sobre os enfermos uma ação balsamizante, aproveitando o sofrimento para a mais breve “queima” do carma.

Eles sabem que a eliminação rápida da dor pode extinguir os efeitos, mas as causas continuam gerando novos padecimentos futuros. Preferem, então, regular o processo do sofrimento depurador, em lugar de sustá-lo provisoriamente. No primeiro caso, esgota-se o carma, embora demoradamente; no segundo, a cura é um hiato, uma prorrogação cármica. Apesar de ainda polêmicos, os ensinamentos deste grande espírito, despertam e elevam as criaturas dispostas a evoluir espiritualmente. Ele fala corajosamente a respeito de magia negra, seres e orbes extra-terrestres, mediunismo, vegetarianismo etc. Estas obras (15 Psicografadas pelo saudoso médium paranaense Hercílio Maes (sabemos que 9 exemplares não foram encontrados depois do desencarne de Hercílio… assim, se completaria 24 obras de Ramatís) e 7 psicografadas por América Paoliello) têm esclarecido muito os espíritos ávidos pelo saber transcendental. Aqueles que já possuem características universalistas, rapidamente se sensibilizam com a retórica ramatisiana. Para alguns iniciados, Ramatís se faz ver, trajado tal qual Mestre Indochinês do século X, da seguinte forma, um tanto exótica: Uma capa de seda branca translúcida, até os pés, aberta nas laterais, que lhe cobre uma túnica ajustada por um cinto esmeraldino. As mangas são largas; as calças são ajustadas nos tornozelos (similar às dos esquiadores). Os sapatos são constituídos de uma matéria similar ao cetim, de uma cor azul esverdeado, amarrados com cordões dourados, típicos dos gregos antigos. Na cabeça um turbante que lhe cobre toda a cabeça com uma esmeralda acima da testa ornamentado por cordões finos e coloridos, que lhe caem sobre os ombros, que representam antigas insígnias de atividades iniciáticas, nas seguintes cores com os significados abaixo:

Carmim – O Raio do Amor

Amarelo – O Raio da Vontade

Verde – O Raio da Sabedoria

Azul – O Raio da Religiosidade

Branco – O Raio da Liberdade Reencarnatória

Esta é uma característica dos antigos lemurianos e atlantes. Sobre o peito, porta uma corrente de pequenos elos dourados, sob o qual, pende um triângulo de suave lilás luminoso emoldurando uma cruz lirial. A sua fisionomia é sempre terna e austera, com traços finos, com olhos ligeiramente repuxados e tês morena. Muitos videntes confundem Ramatís com a figura de seu tio e discípulo fiel que o acompanha no espaço; Fuh Planu, este se mostra com o dorso nu, singelo turbante, calças e sapatos como os anteriormente descritos. Espírito jovem na figura humana reencarnou-se no Brasil e viveu perto do litoral paranaense. Excelente repentista, filósofo sertanejo, verdadeiro homem de bem. Segundo Ramatís, seus 18 remanescentes, se caracterizam por serem universalistas, anti-sectários e simpatizantes de todas as correntes filosóficas e religiosas.

Dentre estes 18 remanescentes, um já desencarnou e reencarnou novamente: Atanagildo; outro, já desencarnado, muito contribuiu para obra ramatiziana no Brasil – O Prof. Hercílio Maes, outro é Demétrius, discípulo antigo de Ramatís e Dr. Atmos, (Hindu, guia espiritual de APSA e diretor geral de todos os grupos ligados à Fraternidade da Cruz e do Triângulo) chefe espiritual da SER. No templo que Ramatis fundou na Índia, estes discípulos desenvolveram seus conhecimentos sobre magnetismo, astrologia, clarividência, psicometria, radiestesia e assuntos quirológicos aliados à fisiologia do “duplo-etérico”. Os mais capacitados lograram êxito e poderes na esfera da fenomenologia mediúnica, dominando os fenômenos de levitação, ubiqüidade, vidência e psicografia de mensagens que os instrutores enviavam para aquele cenáculo de estudos espirituais. Mas o principal “toque pessoal” que Ramatis desenvolveu em seus discípulos, em virtude de compromisso que assumira para com a fraternidade do Triângulo, foi o pendor universalista, a vocação fraterna, crística, para com todos os esforços alheios na esfera do espiritualismo. Ele nos adverte sempre de que os seus íntimos e verdadeiros admiradores são também incondicionalmente simpáticos a todos os trabalhos das diversas correntes religiosas do mundo. Revelam-se libertos do exclusivismo doutrinário ou de dogmatismos e devotam-se com entusiasmo a qualquer trabalho de unificação espiritual. O que menos os preocupa são as questões doutrinárias dos homens, porque estão imensamente interessados nos postulados crísticos.

Texto extraído do livro psicografado pelo médium Noberto Peixoto- Vozes de Aruanda