Tara Verde e seu mantra

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Tara (Sânscrito: Syamatara; Tibetano: Sgrol-ljang) é conhecida na filosofia budista como a Grande Deusa Bondosa, a Salvadora, “senhora dos barcos”, salva os ‘náufragos’ do mundo, leva-os do oceano do samsara para a ‘outra margem’ que é o nirvana. Sua essência é o ar, o vento, “nosso hálito da vida, inspirando-nos a viver, a nos movimentarmos e a agir de acordo com a verdade”. É considerada veloz, por sua atitude rápida a ajudar, sem impedimentos por sua grande sabedoria e compaixão. Ela é a divindade nacional do Tibete,  a grande mãe da compaixão, o aspecto feminino de Buda (do ser desperto), indissociável do estado desperto iluminado.

Tara, a Salvadora, a Libertadora, apareceu no século II. Seu culto se estendeu sobre praticamente todo o território afro-egeu-asiático e teve seus devotos por toda população pré-ariana da Índia.

A origem do culto de Tara é descrita pelo famoso escritor e historiador medieval Taranatha no seu livro de 1608: “A origem do tantra de Tara”. Segundo o autor, o mito de Tara conta que numa era muito antiga (um “eon” – o tempo entre o aparecimento e o desaparecimento de um Universo), havia uma princesa chamada “Lua de Sabedoria”, que era discípula de um Buddha, que era seu Guru e recebeu dela uma oferenda de 19.000m3 de preciosidades por sua imensa devoção. Por essa devoção esta princesa atingiu as mais altas realizações espirituais.

Foi lhe dito que, como um dos diversos resultados de sua prática, ela ia renascer como homem, pois era mais benéfico do que nascer mulher, porque poderia viver na floresta, ou numa gruta deserta, sem ser desejada. Mas a princesa não aceitou, pois já haviam muitos iluminados sob a forma masculina e a forma feminina poderia inspirar mais mulheres. Ficou em retiro e após longas meditações ela atingiu o altíssimo estado de “não origem”, o estado real da mente e dos fenômenos “incriados”, sem início ou fim, ilimitado.

A partir de então ela passou a ser conhecida como Tara (Tare ou Drolma) a “salvadora”, ou “aquela que libera” e também como Arya Tara, a Nobre Tara, a Salvadora, a Estrela, Grande Veloz, Protetora e Eliminadora dos Oito Medos. Tara é uma “deidade meditacional”, corporificação da atividade de todos os Buddhas.

Em seu mito, conta-se que Avalokiteshavara, o Buda da Compaixão, que em profundo pesar pelos sofrimentos do seres no samsara, derramou infindáveis lágrimas dos olhos formarando um lago no qual emergiu uma flor de lótus. Quando a flor se abriu, a maravilhosa Tara saiu de dentro dela, prometendo ao Buddha defender a todos os seres em todos os mundos, de forma imediata e heróica, para remover obstáculos, para proteção e em situações de medo. Conta-se também que na época de Buda Amogashidhi (em outro éon), Tara entrou em novo estado de concentração para proteger os seres do perigo dos medos e dos demônios e beneficiou muitos seres oferecendo-lhes muita ajuda imediatamente quando chamada. Este estado é chamado “a concentração que completamente conquista os demônios”. Por ser sempre veloz em socorrer, ela foi conhecida como rápida e corajosa.

O termo Tara é derivado da raiz “tri”, “atravessar”, possui o mesmo sentido em tibetano, correspondente a “Dreulma” ou “Drölma”. Como “Senhora do Barco”, ela conduz a alma que atravessa a corrente do samsara rumo à distante margem do nirvana. Tara tem o poder eterno de salvar as criaturas atravessando-os com total segurança pelo horrível “oceano da existência fenomênica, pois o mar inteiro é o brincar cintilante e ondulante de sua shakti”.

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O barco representa um símbolo de salvação. Tara é a Grande Deusa Bondosa que acalma a correnteza, com o apoio de suas inúmeras barqueiras trabalhando para salvar náufragos.

Tara é o arquétipo da Sabedoria interna que reside em todos os seres sencientes. Ela protege e guia até mais profundo inconsciente, ajudando a libertá-lo para a consciência.

Tara Verde é representada sentada sobre uma flor de lótus emergindo de um lago, porém quase todos os budas são apresentados sobre o lótus, sentados ou de pé. Veste roupas de realeza, com diversas cores e uma blusa ornamentada com jóias, mas que não cobrem seus seios. Na cabeça há uma tiara com jóias e um rubi ao centro simbolizando Amitabha, seu pai espiritual da família búdica do lótus. Cada mão mostra um mudra e possui o talo de uma flor de lótus com uma flor aberta e dois botões, indicando o alcance de sua atividade em todos os tempos. A perna esquerda está encolhida, indicando sua renúncia as paixões mundanas, mas a perna direita se estende e sai da flor, indicando sua presteza para acudir e ajudar todos os seres.

Seu mudra da mão direita é o de “dar-oferecer”, indicando sua habilidade para oferecer a todos os seres o que necessitam, enquanto a mão esquerda, na altura de seu coração, faz o mudra de “oferecer refúgio”.

Tara é descrita como “da cor da lua, calma, sorridente, sinuosa, irradiando luz de cinco cores…”. Sua terra pura chama-se “harmonia das folhas de turquesa”, mas possui 21 manifestações, com cores diferentes, que se expressam de acordo com a necessidade.

MANTRA PARA TARA VERDE

 OM -contém três sons: ah, oh e mm, e significa as imensuráveis qualidades dos corpos, da fala e das mentes dos seres iluminados.

T TARE: TARE -“Aquela que liberta.”

Tuttare: TUTTARE-“Que elimina todos os medos.”

Ture: TURE-“Que concede todo o sucesso.”

Soha SOHA -por si mesmo significa “Possam as bênçãos de Tara que estão contidas no mantra om tare tuttare ture se enraizarem nos nossos corações.”

 LINK DO MANTRA:

https://www.youtube.com/watch?v=wo9KUjkPkmE

Ganesha

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GANESHA é conhecido como Deus da prosperidade e removedor de obstáculos. Ganesha pertence à família de deuses mais populares do Hinduísmo. Ele é  filho de Parvati e Shiva. Ganesha tem uma enorme cabeça de elefante, indicando sua capacidade intelectual e a firme dedicação ao estudo das escrituras.

Ganesha é o Sábio. Ganesha tem na fronte o Vibhuti e um pequeno tridente indicando que é filho de Shiva – o Senhor da disciplina e da aniquilação da ignorância, indica também, que o sábio tem sempre em mente o Ser Supremo. É adorado principalmente entre os homens de negócio e mercadores, devido ao fato de estar relacionado com a boa fortuna e sabedoria.

Conta a história que Shiva, decidindo se retirar em meditação numa caverna, deixou Parvati em casa à espera de um filho. Após muito anos (alguns textos dizem milênios), Shiva retorna à casa. Pai e filho não se reconhecem e travam uma luta onde Shiva termina por cortar a cabeça do próprio filho.

Parvati desolada, rejeita o marido que, arrependido, sai pela floresta até encontrar o primeiro animal pela frente. Shiva corta a cabeça do elefante e leva até o filho que passa a ter então o corpo de um humano e a cabeça do animal mais forte da floresta.

O ANIVERSÁRIO DE GANHESHA – GANESHA CHATURTHI

Ganesha Chaturthi cai no quarto dia da quinzena de lua escura no mês Hindu de Bhadra(setembro), exatamente no dia 11 de setembro. Neste dia, as pessoas por toda parte na Índia celebram o aniversário de Ganesha. Ganesha é um símbolo muito poderoso do Yoga, e uma lembrança de como deveria ser nossa visão para administrar nossas vidas, com objetivo de viver mais harmoniosamente e conscientemente.

Ganesha é um dos personagens mitológicos mais populares da Índia. É considerado o destruidor dos obstáculos ao desenvolvimento espiritual e material, permitindo aos seus devotos alcançar as riquezas e assegurando o êxito em todos os empreendimentos, por isso é a primeira divindade reverenciada em todos os rituais hindus.

Chaturthi quer dizer ‘o quarto’. Aqui especificamente recorre ao quarto estado de ser, super-consciência. Um indivíduo tem que buscar a ajuda de Ganesha se ele desejar chegar a este quarto estado. Por isto que o festival é chamado Ganesha Chaturthi. É uma lembrança que se devem buscar as bênçãos de Ganesha para se ter sucesso no Sadhana Yogui (prática de Yoga).

A palavra Ganesha é composta de duas palavras do sânscrito: Gana (criado ou administrador) eIsha (supremo). Então Ganesha quer dizer literalmente ‘o administrador’ supremo. Ele também é conhecido amplamente como Ganapati, ‘o administrador’ principal. A palavra Gana nesse contexto tem significado especial. A mente cósmica e individual tem aspectos diferentes ou poderes; estes são chamadas Ganas. Ganesha é o chefe ou o que possui maior destes poderes, que controla todos os outros. O poder da inteligência que dirige tudo no cosmo e no homem.

Ganesha simboliza aquela inteligência inexplorada dentro de cada um de nós. O propósito de adorar e evocar Ganesha é provocar a transformação interna, enquanto resultando de uma expressão de pura inteligência, despertado progressiva e gradualmente por Sadhana Yogui, ou seja, práticas de Yoga.

O grande festival de Ganesha, também conhecido como ‘Vinayak Chaturthi’ ou ‘Vinayaka Chavithi’ é celebrado ao redor do mundo como o aniversário de Senhor Ganesha.

O festival é observado durante o mês de Bhadra (meados de agosto a meados de setembro) e é o mais grandioso e mais elaborado de todos, especialmente no o estado ocidental da Índia de Maharashtra, onde dura 10 dias, encerrando no dia de ‘Ananta Chaturdashi’.

Este ritual é chamado “pranapratishhtha”. Depois a estatua é ungida com cumcum ou pasta de sândalo (chandan de rakta). Por toda a cerimônia, hinos védicos e stotram de Ganesha são cantados.

No final de 10 dias, a imagem é levada às ruas em procissão acompanhada com dança, cantos, para ser imersa num rio ou no mar, simbolizando um adeus ao Senhor para sua viagem de volta a sua morada em Kailash, levando com ele o azar de todo homem.

Oferendas de pudim ou doce são feitas junto a orações para que Ele possa remover todos os obstáculos do caminho espiritual.

Este é um dia auspicioso para se fazer resoluções espirituais e orar ao Senhor Ganesha por força espiritual interior e atingir êxito em todos os nossos empreendimentos.

Que as benções de Sri Ganesha possam estar sobre você!

Que todos os obstáculos em seu caminho espiritual sejam vencidos!

Que Ele vos abençoe com prosperidade e liberação!

O mantra Om Gam Ganapataye Namah (“Eu te saúdo, Senhor das tropas”) é um dos mais utilizados e conhecidos mundialmente, experimentem mantrar durante uma semana e verão seus resultados imediatamente, caminhos sendo abertos!!!

 

 

 

Quarto Raio – Branco Cristal

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Chohan

MESTRE SERAPHIS BEY

Sob a proteção de Mestre Ascensionado Seraphis Bey, Chohan ou Diretor do Quarto Raio está a Chama da Ascensão em Luxor, Egito, que juntamente com o Foco de Purificação foram transferidos para a terra Egípcia antes que o Continente da Atlântida submergisse nas águas do oceano. No Raio da Chama Branca repousa o Santo Ser Crístico até que os homens sejam capaz de manifestá-lo no planeta Terra.

O Quarto Raio abrange a Chama Branca da Pureza, a Chama da Ressurreição, O Plano Imaculado e a Chama da Ascensão. O Chohan do Quarto Raio, que erigiu o Foco da Purificação e da Chama da Ascensão, é o Mestre Ascensionado Serapis Bey.

O Quarto Raio é a “Ponte” entre o reino interior da perfeição e a manifestação do Plano Divino no mundo da forma. Por meio deste raio, o Elohim da Pureza expressa a Sua virtude. É Ele Quem mantêm o Plano Imaculado de evolução da Terra e do ser humano; e o Arcanjo Gabriel é Quem atrai a Chama da Ascensão por meio do Raio Branco. As pessoas que pertencem a este raio geralmente possuem talento artístico para a música, dança, canto, pintura, escultura e arquitetura. São quase sempre dotadas de poderes espirituais, de bastante coragem e de muita perspicácia.

O nome de Serapis Bey é com frequência associado às antigas Escolas dos Mistérios, porém, sua energia é muito mais antiga. Embora tenha sido venerado neste planeta como o Deus Osíris na Atlântida, como Hermes Trimegisto e como Thoth, a sua atividade na Terra é muito mais antiga do que isso.

Em Atlântida, como um rei/sacerdote já atuava no Templo da Ascensão. Com a proximidade da queda da Atlântida, os oficiantes e guardiões das chamas sagradas foram avisados e, assim, ele fugiu com seu grupo de servidores da luz, para Luxor, no Egito, onde ancorou o novo Templo da Ascensão.

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É do mesmo templo, posteriormente realocado para a Quarta Dimensão, que ele atua como Mestre do Quarto Raio para a humanidade, sustentando os atributos da pureza, ascensão, artes, ressurreição, autodisciplina.

Serapis Bey teve várias encarnações no Egito. As mais conhecidas foram como os faraós Akenaton IV e Amenófis III (construtor do Templo de Tebas e de Karnak), Faraó Amenhotep III e Leônidas, Rei de Esparta – 480 a.C.

Apaixonado por arquitetura, construiu noutra de suas encarnações, na Grécia, o famoso Parthenon. Tem sido grande construtor de templos, tanto físicos como internos, a serviço da Luz. Ascencionou no século IV a.C.

Muitas pessoas que nasceram a partir de 1954, podem ter em seus peitos gravada a palavra “ASCENSÃO”, estando mais ligadas do que imaginam à Higienização planetária e à esse amoroso Mestre, pois ele avalizou a vinda de muitos de nós, perante a juizes e conselheiros do Conselho Cármico, segurando-nos pelas mãos, responsabilizando-se mesmo por nós, assegurando que em nossos corações pulsava a verdade e que nossa essência guardava um vívido grito de liberdade para edificar o grande Raio da imortalidade

QUARTO RAIO – CHAMA BRANCA

INVOCAÇÃO

Poderosa Presença Divina EU SOU, fonte de tudo o que existe, presente no coração de toda a humanidade, nós Vos amamos e adoramos! Nós Vos reconhecemos como a Doadora de nossa vida, inteligência e substância, de tudo o que somos; sois a Provedora de tudo o que possuímos.

Mantende-nos selados em Vossa Luz, Amor, Sabedoria e Poder da Vitoriosa realização!

Guardai e protegei-nos, guiai e conduzi-nos, e dai-nos a Iluminação da Verdade, para que sejamos livres por meio da Vitoriosa Ascensão.

A todos Vós, Bem-Amados Mestres Ascensionados, Grandes Seres Cósmicos, Doze Elohim, Doze Arcanjos, Doze Chohans e especialmente Vós, Bem-Amados Saint Germain, El Morya, Diretor Divino, Jesus – o Cristo, Mãe Maria, João – o Amado, Maha Chohan e Serapis Bey e a Fraternidade de Luxor e a todos os que servem no Quarto Raio, enviamos nosso amor.

Ouvi o chamado de nossos corações! Amparai cada um de nós, para que possamos conquistar a nossa ascensão, nesta encarnação.

Flamejai a Chama da Ascensão através de cada partícula de nossos corpos físico, etérico, mental e emocional, e através de todas as nossas aspirações; e imprimi em tudo, Vossa Grande Perfeição.

Nós Vos agradecemos!

Mensagem do Mestre:

Amados irmãos:  

Na Chama Branca de Luxor, o Poder da Ascensão e da Harmonia abençoam a humanidade para que cada um reencontre seu caminho verdadeiro, direcionando suas atividades ao Plano Maior de Deus-Pai-Mãe. Que possais invocar a Fraternidade de Luxor para que na Luz de uma nova freqüência todos os vossos ideais sejam concretizados na Unidade e no Amor . Projetai à vossa frente uma grande pirâmide branca que se expande, se expande, se expande cada vez mais envolvendo todos os Seres em Luz. Quanto mais Seres estiverem compartilhando a mesma forma-pensamento, maiores serão as manifestações de Paz e Unidade na Terra.

Amor e Luz,

EU SOU Seraphis Bey em vós”

 

 

 

Teosofia

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O artigo a seguir foi publicado pela primeira

vez no número um, ano I, da revista

“The Theosophist”, fundada por Helena

Blavatsky na Índia em Outubro de 1879.

O que é Teosofia?
Esta questão tem sido levantada com tamanha frequência, e as concepções equivocadas predominam tão amplamente, que os editores de uma publicação dedicada a uma exposição da teosofia mundial seriam negligentes se o seu primeiro número fosse publicado sem produzir um completo esclarecimento para os seus leitores.  Mas o nosso título implica duas outras questões: o que é a Sociedade Teosófica, e o que são os teosofistas?  Será dada uma resposta a cada uma delas.
Segundo os lexicógrafos, o termo theosophia é composto de duas palavras gregas – theos, “deus”, esophos, “sábio”.  Até aqui, está correto. Mas as explicações que se seguem ficam longe de dar uma ideia clara do que é teosofia.  O dicionário Webster a define, de modo muito original, como “o suposto contato com Deus e espíritos superiores” e a conseqüente obtenção de conhecimento super-humano, por processos físicos, e através das operações teúrgicas de alguns antigos platônicos, ou pelos processos químicos dos filósofos-do-fogo alemães.”
Esta é, para dizer o mínimo, uma explicação precária e desrespeitosa. Atribuir tais ideias a homens como Amônio Saccas, Plotino, Jâmblico, Porfírio e Proclus é uma distorção intencional, ou revela a ignorância do sr. Webster a respeito da filosofia e das intenções dos grandes gênios da escola de Alexandria em sua fase posterior. Atribuir, a aqueles que eram descritos por seus contemporâneos e são vistos pela posteridade como “theodidaktoi” – alunos dos deuses -,  a intenção de desenvolver as suas percepções psicológicas e espirituais por “processos físicos” é o mesmo que descrevê-los como materialistas. Quanto à ironia final, da referência aos filósofos-do-fogo, ela ricocheteia e atinge na verdade os nossos cientistas modernos mais destacados, aqueles a quem o Rev. James Martineau atribui a seguinte ideia: “tudo o que queremos é a matéria física; deem-nos átomos, apenas, e nós explicaremos o universo.”
Vaughan propõe uma definição muito melhor e mais filosófica. “Um teosofista” − diz ele − “é alguém que defende uma teoria de Deus ou das obras de Deus cuja base não é uma revelação, mas uma inspiração própria”.  Deste ponto de vista, todo grande pensador e filósofo, especialmente cada fundador de uma nova religião, escola filosófica ou seita, é necessariamente um teosofista. Portanto, a teosofia e os teosofistas têm existido desde que o primeiro vislumbre de pensamento nascente fez o homem procurar instintivamente pelos meios para expressar as suas opiniões próprias e independentes.
Havia teosofistas antes da era cristã, apesar de os escritores cristãos atribuírem o desenvolvimento do sistema teosófico Eclético à primeira parte do século 3 desta era. Diógenes Laércio localiza a origem da Teosofia em uma época anterior à dinastia dos Ptolomeus; e diz que seu fundador foi um hierofante egípcio chamado Pot-Amun. O nome é copta, e significa “um sacerdote dedicado a Amun” – o deus da Sabedoria. Mas a história mostra que ela foi revivida por Amônio Saccas, o fundador da Escola Neoplatônica. Ele e os seus discípulos chamavam a si mesmos de “filaleteus”, amigos da verdade, enquanto outros os chamavam de “analogistas”, por causa do seu método de interpretar todas as lendas sagradas, mitos e mistérios simbólicos,  por uma regra de analogia ou de correspondência, de modo que acontecimentos que haviam ocorrido no mundo externo eram vistos como expressões das operações e das experiências da alma humana.
A meta e o propósito de Amônio era reconciliar todas as seitas, todos os povos e todas as nações sob uma fé comum – a crença em um Poder Supremo, Eterno, Desconhecido e Sem Nome, que governa o Universo através de leis imutáveis e eternas. Seu objetivo era comprovar a existência de um sistema primitivo de teosofia,  que no início era essencialmente semelhante em todos os países. Ele queria induzir todos os homens a deixar de lado suas discussões e brigas, e uni-los em pensamento e em propósito como filhos de uma mãe comum; e purificar as religiões antigas, gradualmente corrompidas e obscurecidas, libertando-as de toda escória de elementos humanos, unindo-as, e expondo-as com base em elementos puramente filosóficos.
Os sistemas budista,  vedantino e magiano ou zoroastrista eram ensinados na Escola Teosófica Eclética junto com todas as outras filosofias de Grécia. Por isso, também, havia uma característica predominantemente budista e indiana entre os antigos teosofistas e em Alexandria, com uma devida reverência pelos seus pais e pelas pessoas de mais idade; com um afeto fraternal por toda a raça humana, e com um sentimento de compaixão até mesmo pelos animais mudos. Amônio buscava estabelecer um sistema de disciplina moral que ensinava às pessoas o dever de viver de acordo com as leis dos seus países respectivos, e de elevar suas mentes através da pesquisa e da contemplação da única Verdade Absoluta. Ao mesmo tempo, o seu principal objetivo, segundo ele  pensava – e através do qual ele chegaria a todos os outros –  era extrair dos ensinamentos das várias religiões, assim como se faz com um instrumento musical de muitas cordas, uma melodia completa e harmoniosa,  capaz de  provocar uma resposta em todo coração que ama a verdade.
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A teosofia é, portanto, a Religião de Sabedoria dos tempos arcaicos, a doutrina esotérica conhecida em cada país antigo que pretendesse ser civilizado.  Esta “Sabedoria” é mostrada por todos os escritos antigos como tendo emanado do Princípio divino; e a clara compreensão dela é tipificada em personagens tais como o Buddha indiano, o Nebo da Babilônia, o Tot de Mêmfis, o Hermes da Grécia, e através, também, de algumas deusas – Metis, Neitha, Atena, a Sophia gnóstica – e, finalmente, nos Vedas, termo que deriva da palavra “saber”.  Sob esta designação, “sabedoria”, todos os filósofos antigos do Oriente e do Ocidente, os Hierofantes do antigo Egito, os Rishis de Aryavart, os Theodidaktoi da Grécia, incluíam todo o conhecimento das coisas ocultas e essencialmente divinas.  A Mercabá  dos rabinos hebreus, em seu ensinamento secular e popular, era por isso designada como apenas o veículo, a casca externa, que continha o conhecimento esotérico mais elevado. Os Magos de Zoroastro recebiam instrução e eram iniciados em cavernas e lojas secretas da Báctria ; os hierofantes egípcios e gregos tinham os seus apporrheta, ou discursos secretos, durante os quais o Mysta se tornava um Epopta – um vidente.
A ideia central da Teosofia Eclética era a ideia de uma só Essência Suprema, Desconhecida e Incognoscível, porque, “de que modo alguém poderia conhecer o Conhecedor?”, segundo indaga o Brihadaranyaka Upanixade. O seu sistema tinha três características nítidas: a teoria da Essência mencionada acima; a doutrina da alma humana – uma emanação da Essência, e portanto tendo a mesma natureza – e a sua teurgia.  É esta última ciência que levou os neoplatônicos a serem vistos de maneira distorcida em nossa era de ciência materialista.  Como a teurgia era essencialmente a arte de usar os poderes divinos do homem para a dominação das forças cegas da natureza, os seus praticantes foram inicialmente chamados de mágicos – uma derivação da palavra “Magh”, que significa um homem sábio, erudito – e desprezados.  Os céticos de um século atrás teriam cometido o mesmo erro se rissem da ideia de um fonógrafo ou um telégrafo. Aqueles que são ridicularizados e chamados de “infiéis” por uma geração se tornam os homens sábios e os santos da geração seguinte.
Em relação à essência Divina e à natureza da alma e do espírito, a teosofia moderna pensa hoje o mesmo que a teosofia antiga pensava. O popular Diu das nações arianas era idêntico ao Iao dos caldeus, e mesmo ao Júpiter dos romanos que eram menos cultos e menos filosóficos; e era igualmente idêntico ao Jahvé dos Samaritanos, o Tiu ou “Tiusco” dos homens do norte, o Duw dos britânicos, e o Zeus dos trácios. Quanto à Essência Absoluta, o Uno e o todo – o resultado será o mesmo, quer nós aceitemos a filosofia grega pitagórica, a filosofia cabalística dos caldeus, ou a filosofia ariana. A mônada primordial do sistema pitagórico, que se retira à escuridão e que é, ela própria,  a escuridão (para o intelecto humano) é vista como a base de todas as coisas; e podemos encontrar esta ideia, integralmente, nos sistemas filosóficos de Leibnitz e Spinoza. Portanto, o teosofista pode concordar com a Cabala, que, referindo-se a Ain-Soph, propõe a pergunta: “Quem, então, pode compreender Isso, já que Isso não tem forma e é não-existente?”
O teosofista pode lembrar igualmente daquele hino magnífico do Rig-Veda (Hino número 129, Livro Dez), e perguntar:
“Quem sabe de onde surgiu esta grande criação?
Se a sua vontade a criou ou não,
Só ele sabe – ou talvez nem Ele mesmo saiba.”
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O teosofista pode também aceitar a concepção vedantina de Brahma, que nos Upanixades é representado como “sem vida, sem mente, puro”, inconsciente, porque – Brahma é “Consciência Absoluta”. Ele pode ainda ficar ao lado dos Svabhavikas do Nepal, e sustentar que nada existe exceto “Svabhavat” (substância ou natureza), que existe por si mesmo e sem nenhum criador.
Qualquer uma das concepções acima só pode levar à pura e absoluta Teosofia – aquela teosofia que levou homens como Hegel, Fichte e Spinoza a assumir as metas dos velhos filósofos gregos e especular sobre a Substância Única – a Divindade,  o Todo Divino que surge da Sabedoria Divina e que é incompreensível, desconhecido e sem nome, segundo ensinam todas as filosofias religiosas, antigas e modernas, com as exceções do cristianismo e do islamismo.
Todo teosofista, portanto, havendo adotado uma teoria da Divindade “que não tem como base uma revelação, mas sim uma inspiração dele próprio”, pode aceitar qualquer uma das definições acima e pertencer a qualquer uma destas religiões, e ao mesmo tempo permanecer estritamente dentro dos limites da teosofia. Porque a teosofia é a crença na Divindade como o TODO, como a fonte de toda existência, como o infinito que não pode ser nem compreendido nem conhecido;  e só o Universo pode revelar Isso, ou, como alguns preferem, só o universo pode fazer com que Ele seja revelado, atribuindo-se assim um sexo a algo que é uma blasfêmia antropomorfizar.
É verdade que a Teosofia evita a brutal materialização. Ela prefere acreditar que,  estando retirado dentro de si mesmo desde a eternidade, o Espírito da Divindade nem deseja nem cria, mas que, com base no infinito resplendor que alcança todos os lugares desde o Grande Centro, aquilo que produz todas as coisas visíveis e invisíveis é apenas um Raio contendo em si o poder de conceber e gerar, e que esse raio produz, por sua vez, o que os gregos chamaram de Macrocosmo, que os cabalistas chamaram de Tikkun  ou Adão Cadmon – o homem arquetípico – e os arianos  chamaram de Purusha, o Brahm manifesto, ou Macho Divino. A teosofia também acredita na Anastasis ou existência continuada, e na transmigração (evolução), uma série de mudanças na alma que pode ser explicada e defendida com base em princípios estritamente filosóficos, estabelecendo apenas uma distinção entre  Paramatma(alma transcendental, sublime) e Jivatma (alma animal, ou consciente) do sistema dos Vedantinos.
Para definir plenamente Teosofia, devemos considerá-la em todos os seus aspectos. O mundo interior não foi ocultado de todos por alguma escuridão impenetrável. A intuição mais elevada pode ser obtida através da Theosophia ou conhecimento divino,  que leva a mente desde o mundo da forma até o mundo do espírito sem forma. Através dessa intuição, o homem tem sido capaz, em todas as épocas e todos os países, de perceber às vezes coisas no mundo interior ou invisível. Em consequência disso, o “Samadhi” ou Dyan Yog Samadhi [6] dos ascetas hindus; o “Daimonion-photi” ou iluminação espiritual dos neoplatônicos; a “confabulação sideral da alma” dos rosacruzes ou filósofos-do-fogo; e até mesmo o transe em êxtase dos místicos e dos modernos mesmeristas e espíritas são substancialmente idênticos, embora suas manifestações externas sejam variadas.
A busca pelo “eu” mais divino do homem, tão frequente e tão erradamente interpretada como uma comunhão do indivíduo com algum Deus pessoal, era o objetivo de todo místico. A crença na sua viabilidade parece ter sido simultânea com a origem da humanidade. Cada povo deu a isso um nome diferente. Assim, Platão e Plotino chamam de “trabalho noético” aquilo que o iogue e o shrotriya chamam de Vidya. “Através da reflexão, do autoconhecimento e da disciplina intelectual, a alma pode ser elevada até a visão da verdade, da bondade e da beleza eternas – ou seja, até a Visão de Deus – e isso é a epopteia”, diziam os gregos. “Unir a sua própria alma à Alma Universal”, diz Porfírio, “requer apenas uma mente perfeitamente pura. Através da auto-contemplação, de uma perfeita castidade e pureza do corpo, podemos chegar mais perto Disso, e receber, em tal estado, um conhecimento verdadeiro e uma compreensão maravilhosa”.  E Swami Dayanand Saraswati, que não leu Porfírio nem outros autores gregos, mas é um profundo conhecedor dos Vedas, diz em seu Veda Bhashya (ospana prakaru ank. 9): “Para obter Diksh (uma alta iniciação) e alcançar a Ioga, o indivíduo deve ter uma prática de acordo com as regras  (. . . .).  A alma no corpo humano pode realizar as maiores maravilhas através do conhecimento do Espírito Universal (ou Deus) e pode familiarizar-se com as propriedades e qualidades (ocultas) de todas as coisas do universo. Um ser humano (um Dikshit ou iniciado) pode deste modo obter o poder de ver e ouvir a grandes distâncias.”
Finalmente, Alfred R. Wallace, F.R.S., um espiritualista e, no entanto, confessadamente um grande naturalista, afirma com uma corajosa franqueza: “É apenas o ‘espírito’ que sente, e percebe, e pensa – é ele que adquire conhecimento, e raciocina, e tem aspirações . . . .  com alguma frequência, surgem indivíduos constituídos de tal forma que o espírito pode ter percepções independentemente dos órgãos corporais dos sentidos, ou pode, talvez, totalmente ou em parte, sair do corpo por algum tempo e voltar para ele outra vez . . . o espírito . . . se comunica com o espírito mais facilmente que com a matéria.”
Agora que há milhares de anos separando  a época dos Gimnosofistas da nossa era altamente civilizada, podemos ver como, apesar ou talvez por causa da radiância que lança sua luz igualmente sobre os reinos físicos e psicológicos da natureza, mais de vinte milhões de pessoas hoje acreditam, sob uma forma diferente, naqueles mesmos poderes espirituais em que os iogues e os pitagóricos acreditavam cerca de três mil anos atrás. Assim, o místico ariano reivindicava para si mesmo o poder de resolver todos os problemas da vida e da morte, quando ele obtinha o poder de agir independentemente do seu corpo através de Atman – o “eu” ou a “alma”. Ao mesmo tempo, os gregos antigos buscavamAtmu – aquele que é Oculto, a Alma Divina do homem, com o espelho simbólico dos mistérios Tesmoforianos. Do mesmo modo, os espíritas de hoje acreditam na habilidade dos espíritos, ou almas das pessoas desencarnadas, de comunicar-se de modo visível e tangível com aqueles que eles amavam na terra.  E todos estes, os iogues arianos, os filósofos gregos e os espíritas modernos, afirmam esta possibilidade com base no fato de que a alma encarnada e o seu espírito nunca incorporado – o verdadeiro eu  – não estão separados, pelo espaço, nem da Alma Universal nem dos outros espíritos, mas estão separados apenas pela diferença das suas qualidades; porque, na extensão sem fronteiras do universo, não pode haver limitação. E afirmam que esta diferença pode ser removida, através da contemplação abstrata, segundo os gregos e arianos – o que produz uma libertação temporária da Alma prisioneira – e através da mediunidade, de acordo com os espíritas.  Uma vez que esta diferença seja removida, a união entre espíritos encarnados e desencarnados se torna possível.
Era deste modo que os iogues de Patañjali e, seguindo os seus passos, Plotino, Porfírio e outros neoplatônicos, diziam que em suas horas de êxtase eles se haviam unido a Deus, ou, mais precisamente, se haviam tornado um com Deus por diversas vezes ao longo das suas vidas. Esta ideia, embora pareça errada quando aplicada ao Espírito Universal, era, e é, defendida por um número tão grande de filósofos notáveis que não pode ser catalogada como inteiramente quimérica.  No caso dos Theodidaktoi, o único ponto controvertido, o ponto escuro nesta filosofia de extremo misticismo, era a sua tentativa de classificar aquilo que é simplesmente a iluminação do êxtase como uma percepção sensória.  No caso dos Iogues, que sustentavam ser capazes de ver Ishwara “frente a frente”, esta alegação foi corretamente derrubada pela lógica severa de Kapila. Uma ideia similar é sustentada em relação a seus seguidores gregos e a uma longa sucessão de místicos cristãos e, finalmente, também em relação aos dois últimos defensores da ideia de que haviam tido uma “Visão de Deus” dentro destes duzentos anos mais recentes – Jacob Boehme e Swedenborg. Esta pretensão  deveria ter sido questionada, e teria sido de fato questionada do ponto de vista filosófico e do ponto de vista lógico, se alguns dos nossos grandes cientistas que são espíritas tivessem tido mais interesse em filosofia do que nos meros fenômenos do espiritismo.
Os teosofistas de Alexandria estavam divididos em neófitos, iniciados e mestres, e as suas regras eram copiadas dos antigos Mistérios de Orfeu, que, segundo Heródoto, os trouxe da Índia.  Amônio exigia dos seus discípulos, através de um juramento, que não divulgassem as suas doutrinas mais elevadas, exceto para aqueles que houvessem demonstrado ser completamente dignos delas, que fossem iniciados, e que houvessem aprendido a ver os deuses, anjos e demônios dos outros povos de acordo com a hyponia esotérica, o significado subjacente. “Os deuses existem, mas eles não são os que os hoi polloi, a multidão destituída de educação, pensa que eles são”, escreveu Epicuro. “Aquele que nega a existência dos deuses adorados pela multidão não é um ateu; o ateu é aquele que amarra a tais deuses a opinião da multidão”. Por sua vez, Aristóteles declara que, no que diz respeito à “Essência Divina que permeia todo o mundo da natureza, aqueles que são apresentados como deuses são, simplesmente, os princípios primordiais.”
Plotino, o discípulo de Amônio “aluno de Deus”, afirma que a gnose secreta  ou conhecimento da Teosofia tem três graus: a opinião, a ciência e a iluminação. “O meio ou instrumento do primeiro são os sentidos, ou a percepção; do segundo, é a dialética; do terceiro, é a intuição.  A razão é subordinada à intuição; esta última é conhecimento absoluto,  fundado na identificação da mente com o objeto conhecido.”
A teosofia é a ciência exata da psicologia, de certo modo. Ela está para a mediunidade natural, não-cultivada, assim como o conhecimento de um Tyndall  está para o conhecimento de um aluno de escola primária, a respeito de Física. Ela desenvolve no homem uma visão direta; aquilo que Schelling denomina de “uma compreensão da identidade do sujeito com o objeto, no indivíduo; de modo que sob a influência e o conhecimento da hyponia o homem produz pensamentos divinos, vê todas as coisas como elas realmente são, e, finalmente, “se torna um receptáculo da Alma do Mundo” para usar uma das imagens mais brilhantes de Emerson. “Eu, o imperfeito, adoro o meu próprio perfeito”, diz ele em seu excelente ensaio sobre a Alma Maior (“Oversoul”).  Além deste estado psicológico ou estado de alma, a teosofia cultivava todas as áreas das ciências e das artes. Ela estava completamente familiarizada com o que agora é conhecido como mesmerismo.  A teurgia prática ou “magia cerimonial”, à qual o clero católico romano recorre com tanta frequência nos seus exorcismos – era deixada de lado pelos teosofistas. Foi apenas Jâmblico que, transcendendo os outros Ecléticos, acrescentou à teosofia a doutrina da teurgia.
Quando ignora o verdadeiro significado dos símbolos esotéricos e divinos da natureza, o homem tende a calcular erradamente os poderes da sua alma, e, ao invés de comunicar-se espiritual e mentalmente com os seres mais elevados e celestiais, os bons espíritos (os deuses dos teurgistas da escola platônica) ele inconscientemente evoca os poderes maus, escuros, que estão à espreita em torno da humanidade – as criações imorredouras, desagradáveis, de crimes e vícios humanos – e assim caem da teurgia (magia branca) na goetia  (ou magia negra, feitiçaria). No entanto, nem a magia branca nem a magia negra são o que a superstição popular entende por estes termos.  A possibilidade de “evocar espíritos” de acordo com a chave de Salomão é o ponto mais alto da superstição e da ignorância. Só a pureza de ações e de pensamento pode erguer-nos até o contato “com os deuses” e trazer até nós a meta que desejamos. A alquimia, que é considerada por tantos como tendo sido ao mesmo tempo uma filosofia espiritual e uma ciência física, pertencia aos ensinamentos da escola teosófica.
É um fato perceptível que nem Zoroastro, nem Buddha, Orfeu, Pitágoras, Confúcio, Sócrates ou Amônio Saccas escreveram coisa alguma.  A razão disso é óbvia. A teosofia é uma arma de dois gumes, e é inadequada para o ignorante e para o egoísta. Como toda filosofia antiga, ela tem os seus seguidores entre os modernos. Mas, até recentemente, os seus discípulos eram poucos em número, e eram das mais variadas seitas e opiniões. “Inteiramente especulativos, e não tendo fundado escola alguma, eles exerceram ainda assim uma influência silenciosa sobre a filosofia; e, sem dúvida, no momento certo, muitas ideias assim propostas silenciosamente poderão no entanto dar novos direcionamentos ao pensamento humano” – escreve o sr. Kenneth R.H. Mackenzie XI , ele próprio um místico e um teosofista, em sua grande e valiosa obra “The Royal Masonic Cyclopaedia” (Enciclopédia Real Maçônica) (ver artigos intitulados “Theosophical Society of New York”  e “Theosophy”, p. 731).
Desde os dias dos filósofos-do-fogo, eles nunca se haviam organizado em sociedades, porque eram caçados pelo clero cristão como se fossem animais selvagens, e, até um século atrás, ser conhecido como um Teosofista frequentemente significava o mesmo que uma condenação à morte.
As estatísticas mostram que, durante um período de 150 anos, não menos que 90 mil homens e mulheres foram queimados na Europa, com base em alegações de feitiçaria. Só na Grã-Bretanha, entre o ano de 1640 e o ano de 1660, apenas vinte anos, três mil pessoas foram mortas por supostos pactos com o “Demônio”.  Foi apenas na parte final deste século – em 1875 – que alguns místicos e espíritas avançados, insatisfeitos com as teorias e explicações do espiritismo, e vendo que elas estavam longe de cobrir todo o campo de fenômenos, formaram em Nova Iorque, na América do Norte, uma associação que é agora amplamente conhecida como Sociedade Teosófica.