Mantras| Os sons da iluminação

A palavra mantra é composta pelas sílabas man (mente) e tra (entrega), em sânscrito, antigo idioma da Índia. Tem origem nos Vedas, livros sagrados indianos compilados pela primeira vez em 3000 a.C.


Como atuam os mantras?


O som exerce um poderoso efeito sobre nosso corpo e nossa mente. E pode acalmar-nos e dar-nos prazer ou ter influência desarmoniosa, gerando uma sensação sutil de irritação. O mantra é ainda mais poderoso do que um som comum: é como uma porta que se abre para a profundidade da experiencia. Visto que os mantras não têm sentido conceitual, não evocam respostas predeterminadas. Quando entoamos um mantra, ficamos livres para transcender os reflexos habituais. O som do mantra pode tranqüilizar a mente e os sentidos, relaxar o corpo e ligar-nos com uma energia natural e curativa.

(Tarthang Tulku, A mente oculta da liberdade)

Essas escrituras compõem-se de 4 mil sutras, das quais foram extraídos milhares de mantras, que atribuíam características relacionadas aos deuses, como amor, compaixão e bondade. Como o som é uma vibração, pronunciar ou ouvir os mantras cotidianamente é, para os hindus, a forma de ativar as qualidades divinas, abrindo nossas mentes e nossos corações para os planos superiores.

Um mantra é basicamente uma “oração”, explica o swami Vagishananda, americano radicado na Índia há mais de 20 anos, mestre dos cânticos relacionados aos Vedas.

Mantras: O SOM DA DIVINDADE

Os mantras em geral são muito curtos, um breve verso comportando algumas sílabas e com sentido bem claro. Mas eles também podem consistir numa extensa combinação de sílabas aparentemente desprovidas de sentido. Os “sons-semente”, formados de uma única sílaba e que terminam quase sempre por uma nasal, como o m ou n, constituem mantras ainda mais complexos e enigmáticos. Dentro desta categoria, o mantra mais conhecido é OM (AUM), palavra  que diz-se contém a chave do universo. OM corresponde  às três principais divindades – Brahma, Vishnu e Shiva. Acredita-se que existe um mantra para todos os estados e todas as doenças e melhor ainda, para todos os problemas, de qualquer natureza. Todos podem ser resolvidos com a entoação dos sons convenientes e apropriados, porque cada mantra é um som, e as vibrações sonoras constituem a própria base do universo. As doutrinas orientais atribuem enorme importância ao conhecimento e uso dos mantras.

O mantra, circunstancialmente vem sendo confundido com palavras mágicas, orações, fórmula milagrosa, feitiçaria ou mera superstição; completamente distante de seu sentido real e científico. O mantra não é uma oração porque nelas o devoto escolhe as suas próprias palavras.

O mantra não é mágica por que não deve ser usado para interferir no curso dos fenômenos naturais e nem se trata de fórmula milagrosa por que é uma regra, uma lei e não um fato isolado sem explicação.

Os mantras são tecnicamente estudados no Tantra Shastra (escritura védicas apropriadas para a era atual, Kali-yuga).

Os mantras são representações sonoras das Divindades, assim como as imagens são Suas representações formais.

O nosso mundo é constituído de nomes e formas (namarupa).

Repeti-los muitas vezes é a chave para interromper o processo natural de pensamento intermitente, que nos leva de uma idéia a outra sem controle. Quando paramos esse fluxo mental, o corpo relaxa, e a mente se aquieta e se abre a vibrações sutis, que permitem ampliar a percepção.

Acalmando as emoções


“Recitar os mantras com esse propósito nos leva a conhecer qual será o próximo pensamento”, diz Vagishananda. Segundo ele, esse é o primeiro passo para gerenciar as emoções, expressá-las de maneira saudável e eliminar a resistência mental em reconhecer o que não pode ser mudado, como os fatos do passado.

Algumas linhas hindus consideram os mantras sons primordiais que têm poder em si mesmos. Outras, como o budismo nishiren shoshu – que reverencia o Buda Nishiren, que viveu no Japão do século 7 –, recomendam que se inicie o contato com seus ensinamentos pela vocalização do mantra Miohô, ou Sutra do Lótus.

“Todo mundo tem  Buda dentro de si. Ao pronunciar o mantra, elas serão expressas para o mundo”, explica Marcos Eduardo Correa, conhecido como monge Kyohaku, um curitibano praticante desse culto há 15 anos.

Recitamos e meditamos sobre o mantra, que é o som iluminado, a fala da divindade, a união do som com a vacuidade. […] Ele não possui uma realidade intrínseca, é simplesmente a manifestação do som puro, experienciado simultaneamente com sua vacuidade. Através do mantra, não nos apegamos mais à realidade da fala e do som encontrados no cotidiano, mas os experienciamos como sendo vazios. Então, a confusão do aspecto da fala de nosso ser é transformada na consciência iluminada.

(Kalu Rinpoche, The Dharma)


Refúgio de paz

Os mestres recomendam que se repitam os mantras, às vezes, durante horas a fio, mas no início não precisa ser tanto. O artesão João Bueno, de São Paulo, apresentado aos mantras por uma amiga astróloga, aprovou a experiência. Ao entoar um dos mantras do deus hindu Ganesha, relacionado à alegria de viver, pôde superar a perda de uma pessoa querida. “Pode ser coincidência, mas comecei a me sentir melhor com essa prática”, diz João.


“O verdadeiro impacto do mantra pode ser percebido depois de três horas de repetição”, explica o mestre Vagishananda. Alguns reflexos são bem mais imediatos, porém. Estudiosos do mantra Miohô – “Nam miohô rengue kyo” –, relacionam cada sílaba a uma área do corpo, que recebem os benefícios da vibração do som. Assim, nam corresponde à devoção, mio à mente, ou cabeça, ho à boca, ren ao tórax, gue ao estômago, kyo às pernas.

O taoísmo, linha filosófica chinesa, inclui práticas com gestos, respiração, canções e meditação, mas os mantras são considerados fundamentais por sua praticidade. “Podem ser recitados em quase todas as circunstâncias”, explica o mestre Wu Jyh Cherng, da Sociedade Taoísta do Rio de Janeiro.

Faça a experiência

Pode-se recitar mantras nos momentos em que sentimos necessidade de nos conectar com as qualidades das quais eles falam: alívio, calma, alegria, amparo, ânimo. Não custa tentar – afinal, o mínimo que a prática poderá fazer é deixá-lo mais tranqüilo e concentrado.
A vocalização do mantra Om Mani Padme Hum, um dos mais populares, proporciona ao final uma respiração profunda e relaxante (o H tem som de R).



Um cântico para cada momento

Há mantras específicos para evocar vibrações de cura, alegria e prosperidade, por exemplo, associados aos budas ou às divindades femininas – as taras. Pronuncie o H com o som de R.


Mantra de Buda Shakyamuni, para promover a autocura e companhia espiritual:

Om Muni Muni Maha
Muni Shakya Muniye Soha


Mantra de Maritze, uma tara que protege contra as adversidades, além de trazer luz e boa sorte:

Om Maritze Mam Soha

Mantra de Tara Sarasvati, a inspiradora das artes:

Om Ah Sarasvati Hrim Hrim

Mantra do Buda universal, ele ajuda a trazer o amor que está faltando no coração da sociedade moderna:

Om Maitreya
Maha Maitreya
Arya Maitreya

Mantra de Zambala, para a prosperidade e a riqueza espiritual e material:

Om Pema Krooda Arya zamabala
Hridaya Hum Phe Soha
Om Benze Dakine Hum Phe
Om Ratna Dakine Hum Phe
Om Pena Dakine Hum Phe Om Karma Dakine Hum Phre
Om Bishani Soha


Mantra de Tara Verde, libertadora e heroína veloz, elimina interferências como medo, ressentimento e insegurança, acelera a realização das causas positivas, traz proteção, fé e coragem.

Om Tare Tuttare Ture So Há

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por Mirela Borges Postado em Mantras

10 comentários em “Mantras| Os sons da iluminação

  1. Olá,
    Gostaria de saber se ouvir um mantra como OM, como iniciante na prática de meditação pode ser perigoso…e se não é, posso ouvir a qualquer hr? Tenha feito isso e me sentindo muito bem,mas li q um mantra invoca…posso invocar entidades inadequadas só em ouvir ou recitar sózinha em casa??
    Obrigada

  2. Eu tenho que repetir o mantra, obrigatoriamente, para ele surtir efeito ou posso somente ouví-lo e me concentrar nele? Pois tem alguns mantras em Sânscrito, para atrair riquezas que são bem difíceis de se falar.

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