A religião eterna – ou Sanatana Dharma

RAFA

No dia 25 de fevereiro, George Harrison completaria 70 anos se vivo estivesse.

 Além de ser um dos Beatles com uma carreira solo posterior super prolífica, George abraçou o hinduísmo e prosseguiu no caminho espiritual até sua passagem. Conheceu o fundador do Movimento Hare Krishna, Srila Prabhupada, e tornou-se um devoto incansável da suprema personalidade de Deus, Krishna.

O Movimento Hare Krishna, entretanto, é apenas mais um ramo da grande entidade espiritual que é o hinduísmo, ou Sanatana Dharma – a eterna fé. Há divergências sobre quais os requisitos que tornam o indivíduo hindu, mas existem pontos principais, como a crença nos Vedas, no karma e reencarnação. Muitos também são os preconceitos e névoa de desentendimento que circundam o hinduísmo.

É fato de conhecimento comum no ocidente que os hindus consideram a vaca um animal sagrado. No entanto, não é exatamente assim. As vacas apenas representam todas as criaturas, que são sagradas. Lembro de ler um artigo em que Srila Prabhupada rebate um padre católico que dizia que o ser humano é superior em relação aos outros animais, que por sua vez devem nos servir. Srila Prabhupada compara então a vaca à nossa própria mãe, que nos nutre e alimenta. Ela, extremamente altruísta, fornece inúmeros insumos pegando nada além de grama e grãos. Os hindus, portanto, tendem a ser vegetarianos, se utilizando do leite para produzir iogurte, ghee (manteiga clarificada) e sorvetes, por exemplo. O vegetarianismo também tem suas raízes no princípio da não-violência: ahimsa.
Mahatma Gandhi e seu movimento de independência da Índia são firmemente calcados nesse principio.

Existe inclusive a crença geral de que os hindus adoram imagens. O que acontece é justamente o contrário. Deus, de acordo com a concepção presente nos Vedas, é uma entidade que permeia a tudo e a todos. As esculturas e quadros são apenas uma forma de invocar a presença de Deus. A yoga e meditação servem ao mesmo propósito, acordando a presença divina dentro de nós mesmos, nesse maravilhoso templo que é a alma.

Reencarnação é um assunto recorrente hoje, todos conhecemos alguém que acredita nesse princípio. No ocidente ele se propagou principalmente através do espiritismo de Alan Kardec, mas sempre fez parte das religiões orientais, tais como as várias correntes do hinduismo, budismo e jainismo. No Bhagavad Gita, texto de mais de 5000 anos, Krishna diz a Arjuna:

“Nunca houve um tempo em que Eu, ou você ou qualquer um desses reis aqui presentes não existiram. E todos nós certamente iremos existir no futuro também.”

A consciência e a alma nunca podem ser destruídas. Apenas o corpo material perece. A alma não tem nascimento ou morte, nem deixa de ser. Quando aprende todas as lições, alcança moksha – a liberação, ou iluminação. Não mais se manifestará nesse corpo físico. A alma vive no corpo astral, e mais internamente, no corpo causal. Nunca para de evoluir. Mas isso é assunto para um outro post.

O karma, também conhecido por nós, não é nada mais do que o princípio universal de ação e reação que governa toda a vida. Deus não nos pune por coisa alguma, como é pregado em tantos setores cristãos. O que acontece em nossas vidas decorre das ações passadas, da energia que emana dos pensamentos, palavras e atos. Do mesmo modo que não pode ser chamado de pagamento de pecados, também não é destino. É uma energia em constante movimento, nada predeterminado.

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“Ele é Brahma. Ele é Shiva. Ele é Indra. Ele é imutável, o supremo, o que possui brilho próprio. Ele é Vishnu. Ele é vida. Ele é fogo e Ele é a lua.”

Esse trecho retirado dos Vedas, a escritura sagrada composta por 4 conjuntos de textos, conceitua a idéia de Deus, que não é muito diferente do que escutamos hoje nos círculos espiritualistas. Deus como luz, presença impessoal e que se manifesta em todos os seres e situações. Há também o pai que deseja que seus filhos saiam dessa roda do samsara, que nunca para de girar.

Deus vive dentro de cada alma, coração e consciência, esperando para ser descoberto. Os inúmeros deuses são na verdade diferentes modos de se referir ao Uno. Cada um deve ter a liberdade de abordar o assunto da forma como lhe parecer verdadeira. Existem técnicas para aumentar a percepção de Deus, tais como a oração, cantos, yoga e meditação.

Como uma vez escreveu George Harrison: “Se há um Deus, eu quero vê-Lo.”

OM SHANTI SHANTI SHANTI 

CRÉDITOS:

Rafaela Batista

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