Aos pés do Mestre – Discernimento (KRISHNAMURTI)

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Esta semana comecei a ler um livro muito interessante chamado “Aos pés do Mestre”, um excelente guia para os buscadores da senda do AMOR. Neste livro, Krishnamurti diz que são necessárias quatro qualidades para seguir no caminho da senda do AMOR.

A primeira dessas qualidades é o DISCERNIMENTO, vulgarmente tomado no sentido da distinção entre real e o irreal, que conduz o homem para a Senda. É isso, mas é muito mais ainda e deve ser praticado – não somente no começo da Senda, porém a cada passo que nela diariamente se dá, até o fim. Entras para a Senda porque aprendeste que somente nela se podem encontrar as coisas dignas de aquisição. Os homens que não sabem trabalham para adquirir riqueza e poder, porém esses bens são, quando muito, para uma vida somente e, portanto, irreais. Há coisas maiores do que essas – coisas reais e duradouras; quando as tiveres visto uma vez, não mais desejarás as outras.

Em todo o mundo há somente duas espécies de pessoas – as que sabem e as que não sabem, e o conhecimento é o que importa possuir. A religião de um homem e a raça a que pertence não são coisas de importância; o que é realmente importante é o conhecimento, o conhecimento do plano de DEUS para os homens. Pois Deus tem um plano e esse plano é a Evolução; quando o homem tiver visto esse plano e realmente o conhecer; não poderá deixar de cooperar nele, integrando-se nele, tal a sua glória e beleza. Assim, pelo fato de possuir o conhecimento, o homem está ao lado de Deus, firme e resistente ao mal, trabalhando pela evolução sem fins pessoais.

Se está do lado de Deus, é um dos nossos, não tendo a mínima importância se ele se diz hinduísta, budista, cristão ou maometano, ou se é hindu, inglês,chinês, russo. Os que estão ao lado de Deus sabem por que aí se acham, sabem o que têm a fazer e tentam cumpri-lo; todos os demais não sabem ainda o que têm a fazer e, por isso, frequentemente agem de modo insensato, imaginando caminhos para si próprios, os quais lhes parecem agradáveis, não compreendendo que todos são um e que, portanto, só aquilo que o UNO quer pode realmente ser agradável a todos. Seguem o irreal em vez do real. E, enquanto não aprendem a distinguir entre ambos, não se colocam ao lado de Deus e eis porque o discernimento é o primeiro passo a dar.

Todavia, mesmo depois de feita a escolha, deves lembrar-te de que no real e no irreal há inúmeras variantes, e o discernimento ainda deve ser exercido entre bem e mal, entro o importante e o não importante, entre o útil e o inútil, entre o verdadeiro e o falso, entre o egoísta e o desinteressado.

Entre o bem e o mal não deveria ser difícil escolher, pois os que desejam seguir o Mestre já se decidiram seguir o bem a todo o custo. Porém, o homem e o seu corpo são dois, e a vontade sempre está de acordo com a do corpo. Quando o teu corpo desejar alguma coisa, para e considera se tu realmente desejas isso. Pois tu és DEUS e só queres o que DEUS quer; necessitas, porém, penetrar fundo em ti mesmo, para encontrares DEUS em teu interior e ouvires a sua voz que é a tua voz. Não confundas os teus corpos contigo mesmo, nem o teu corpo físico, nem o astral, nem o mental. Cada um deles pretende ser o EGO a fim de obter o que deseja. Precisas, porém, conhecê-los todos, e conhecer-te a ti mesmo como seu possuidor.

Quando há um trabalho a fazer, é quando o corpo físico quer descansar, passear, comer e beber; o homem que não sabe diz a si mesmo: ” Eu quero fazer essas coisas e preciso fazê-las”. Mas o homem que sabe diz: “Quem quer não sou eu; portanto espere um pouco”. Frequentemente, quando há oportunidade de auxiliar alguém, o corpo insinua: “Que aborrecimento me trará isso: deixemos que outro qualquer tome o meu lugar”. Porém, o homem que sabe lhe replica: “Tu não me impedirás de praticar uma boa ação”.

O corpo é teu animal, o cavalo que montas. Deves, portanto, tratá-lo bem, cuidar bem dele, não estafá-lo, alimentá-lo convenientemente e mantê-lo perfeitamente limpo, internamente e externamente. Deves ser sempre tu quem o domine, e não ao contrário.

O corpo astral tem seus desejos- quererá ver-te encolerizado, ouvir-te dizer palavras ásperas, que sintas ciúmes, que sejas ávido por dinheiro, que inveje os bens alheios e cedas ao desânimo. Quererá todas essas coisas, não porque deseje prejudicar-te, mas porque lhe aprazem as vibrações violentas e gosta de mudá-las continuamente, Tu, porém, não desejas nenhuma dessas coisas; portanto, deves distinguir os teus desejos dos de teu corpo astral.

O teu corpo mental deseja te manter orgulhosamente separado; quererá que penses muito em ti mesmo e pouco nos outros. Mesmo quando o tiveres desviado das coisas mundanas, tentará ainda especular acerca de ti próprio, fazer-te pensar no teu próprio progresso em vez de pensares na obra do Mestre e em auxiliar os outros.

Por muito sábio que sejas, muito terá ainda que aprender na Senda, Deus tanto é sabedoria quanto AMOR e, quanto mais sábio fores, mais ELE se manifestará por seu intermédio.

O teu pensamento acerca dos outros deve ser verdadeiro, não penses a seu respeito aquilo que não saibas. Não suponhas que os outros estejam sempre pensando em ti. Se um homem faz alguma coisa que julgas poder prejudicar-te, ou diz algo  que parece ser-te dirigido, não suponhas imediatamente: “Ele pretende ofender-me”. O mais provável é que ele nunca pense em ti, pois cada alma tem suas próprias preocupações e seus pensamentos não giram, na maioria das vezes, em torno de si próprio. Deve também sr verdadeiro no falar, exato e sem exageros. Se ouvires uma narrativa contra alguém , não a repitas, pode não ser verdadeira e, ainda que o seja, é mais bondoso nada dizer. Pensa bem antes de falar a fim de não caíres em inexatidões.

Sê verdadeiro na ação; nunca pretendas parecer senão aquilo que és, pois todo fingimento constitui um obstáculo à pura luz da verdade, que deve brilhar através de ti como a luz do Sol através de um vidro transparente.

Deves ainda utilizar o discernimento de outra maneira: aprende a distinguir a DEUS que está em todos e em tudo, por pior que seja a sua aparência exterior. Podes ajudar o teu irmão pelo que tens em comum com ele- A VIDA DIVINA. Aprende a despertar nele esta vida, aprende a invocá-la nele, assim o salvarás do mal.

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