UMBANDA

Como bom Universalista, prezo pelo estudo constante de diversas religiões, doutrinas e  ensinamentos espiritualistas. Nas postagens do blog prezo por trazer ensinamentos das mais diversas linhas espiritualistas, crendo que todas levam ao caminho da luz, da unidade, do auto conhecimento e da reforma íntima, ou pelo menos deveriam. A maioria destes ensinamentos visa o “religare” com a nossa verdadeira essência. Nesta busca contínua estudando a espiritualidade, uma das religiões pelas quais tenho me encantado é a Umbanda. Antes de conhecê-la, por meio de estudos e do próprio desenvolvimento mediúnico com as falanges que trabalham nesta egrégora de Luz, tive a oportunidade de ouvir diversas barbaridades a respeito da Umbanda.

Eu mesmo antes de conhecer verdadeiramente estes ensinos, fui envolvido por um pré-conceito que rondava até mesmo meus familiares mais próximos, o senso comum é algo que temos que ter sempre cuidado antes de concluirmos algo a respeito de um tema. Ouvia coisas tão pejorativas que prefiro não citá-las, mas que tenho certeza que muitos que estão lendo este texto agora já ouviram diversas vezes ao decorrer de sua vida.

E lá fui eu, atrás de respostas, como bom buscador da senda do AMOR deve fazer – buscar as informações livres de pré-conceitos e se distanciando ao máximo do senso comum. E comecei meus estudos acerca da Umbanda para entendê-la melhor.  No começo pensei se tratar de uma religião derivada do candomblé, mas vi que se tratava de algo muito mais complexo do que este senso comum me mostrava.

O que me espantou é que ao estudar a Umbanda, descobri que ela traz ensinamentos muito antigos, uma doutrina multimilenar, adotada desde os primórdios da civilização atlante, eles já tinham acesso a este conhecimento, que na Nova Era muitos estão buscando. Lá ela era conhecida como “Aumbandhã”. Temos a “memória curta”, por assim dizer e pouca informação sobre o passado da nossa própria raça. Esquecemos nossas origens e nos deserdamos da sabedoria que já foi nossa –  o conhecimento UNO, que era cultivado na velha Atlântida. Naquela época ciência e religião eram uma só e mesma coisa, as Leis da Natureza e Leis Ocultas eram estudadas em conjunto. A pura religião Atlante abrangia o que conhecemos hoje como Ocultismo. A umbanda traz em si estes conhecimentos adaptados à realidade brasileira, conhecimentos antigos compartilhados em templos iniciáticos naquela época. Este conhecimento perpassa aos antigos Magos Brancos – caldeus, egípcios, babilônicos, africanos; onde a magia da ancestral atlante, era conservada.

Estes conhecimentos foram retomados com a vinda do nazareno Jesus e de muitos outros instrutores que encarnaram na Terra em diversas doutrinas religiosas. A Ioga, a Teosofia, a Rosa-Cruz e muitas outras doutrinas foram essenciais no processo de reinserção do conhecimento sagrado na consciência coletiva. Kardec mais recentemente foi essencial neste “relembrar” das Antigas Verdades, trouxe-nos conhecimento acerca da reencarnação, lei do carma, mediunismo, períspirito, evolução em diversos planos da manifestação divina, leis herméticas, dentre outros conhecimentos que estavam ocultos e restritos a alguns templos iniciáticos.

 

COMO A UMBANDA SURGIU?

No final de 1908, Zélio Fernandino de Moraes, um jovem rapaz com 17 anos de idade, que preparava-se para ingressar na carreira militar na Marinha, começou a sofrer estranhos “ataques”. Sua família, conhecida e tradicional na cidade de Neves, estado do Rio de Janeiro, foi pega de surpresa pelos acontecimentos. Esses “ataques” do rapaz eram caracterizados por posturas de um velho, falando coisas sem sentido e desconexas, como se fosse outra pessoa que havia vivido em outra época. Muitas vezes assumia uma forma que parecia a de um felino lépido e desembaraçado que mostrava conhecer muitas coisas da natureza. Após examiná-lo durante vários dias, o médico da família recomendou que seria melhor encaminhá-lo a um padre, pois o médico (que era tio do paciente), dizia que a loucura do rapaz não se enquadrava em nada que ele havia conhecido. Acreditava mais, era que o menino estava endemoniado.  Alguém da família sugeriu que “isso era coisa de espiritismo” e que era melhor levá-lo à Federação Espírita de Niterói, presidida na época por José de Souza. No dia 15 de novembro, o jovem Zélio foi convidado a participar da sessão, tomando um lugar à mesa.

Tomado por uma força estranha e alheia a sua vontade, e contrariando as normas que impediam o afastamento de qualquer dos componentes da mesa, Zélio levantou-se e disse: “Aqui está faltando uma flor”. Saiu da sala indo ao jardim e voltando após com uma flor, que colocou no centro da mesa. Essa atitude causou um enorme tumulto entre os presentes. Restabelecidos os trabalhos, manifestaram-se nos médiuns kardecistas espíritos que se diziam pretos escravos e índios. O diretor dos trabalhos achou tudo aquilo um absurdo e advertiu-os com aspereza, citando o “seu atraso espiritual” e convidando-os a se retirarem.

Após esse incidente, novamente uma força estranha tomou o jovem Zélio e através dele falou: _“Porque repelem a presença desses espíritos, se nem sequer se dignaram a ouvir suas mensagens. Será por causa de suas origens sociais e da cor ?”

Seguiu-se um diálogo acalorado, e os responsáveis pela sessão procuravam doutrinar e afastar o espírito desconhecido, que desenvolvia uma argumentação segura.

Um médium vidente perguntou: _”Por quê o irmão fala nestes termos, pretendendo que a direção aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram, quando encarnados, são claramente atrasados? Por quê fala deste modo, se estou vendo que me dirijo neste momento a um jesuíta e a sua veste branca reflete uma aura de luz? E qual o seu nome irmão? _”Se querem um nome, que seja este: sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque para mim, não haverá caminhos fechados.”_
“O que você vê em mim, são restos de uma existência anterior. Fui padre e o meu nome era Gabriel Malagrida. Acusado de bruxaria fui sacrificado na fogueira da Inquisição em Lisboa, no ano de 1761. Mas em minha última existência física, Deus concedeu-me o privilégio de nascer como caboclo brasileiro.”

Anunciou também o tipo de missão que trazia do Astral:

_”Se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer que amanhã (16 de novembro) estarei na casa de meu aparelho(médium), às 20 horas, para dar início a um culto em que estes irmãos poderão dar suas mensagens e, assim, cumprir missão que o Plano Espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados.”

O vidente retrucou: _”Julga o irmão que alguém irá assistir a seu culto” ? perguntou com ironia. E o espírito já identificado disse:

_”Cada colina de Niterói atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei”.

Para finalizar o caboclo completou:

_”Deus, em sua infinita Bondade, estabeleceu na morte, o grande nivelador universal, rico ou pobre, poderoso ou humilde, todos se tornariam iguais na morte, mas vocês, homens preconceituosos, não contentes em estabelecer diferenças entre os vivos, procuram levar essas mesmas diferenças até mesmo além da barreira da morte. Porque não podem nos visitar esses humildes trabalhadores do espaço, se apesar de não haverem sido pessoas socialmente importantes na Terra, também trazem importantes mensagens do além?”

No dia seguinte, na casa da família Moraes, na rua Floriano Peixoto, número 30, ao se aproximar a hora marcada, 20:00 h, lá já estavam reunidos os membros da Federação Espírita para comprovarem a veracidade do que fora declarado na véspera; estavam os parentes mais próximos, amigos, vizinhos e, do lado de fora, uma multidão de desconhecidos.

Às 20:00 h, manifestou-se o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Declarou que naquele momento se iniciava um novo culto, em que os espíritos desencarnados que não encontravam campo de atuação em outros locais para o seu desenvolvimento e aprendizado espiritual, poderiam trabalhar em benefício de seus irmãos encarnados, qualquer que fosse a cor, a raça, o credo e a condição social. (Desta fala podemos identificar o cunho universalista da Umbanda)

A prática da caridade, no sentido do amor fraterno, seria a característica principal deste culto, que teria por base o Evangelho de Jesus.

Segundo o espírito Ramatís em seu livro psicografado – A missão da Umbanda, estes conhecimentos foram retomados por meio da Umbanda no Brasil, baseados na lei do AMOR e da CARIDADE. A umbanda é uma religião criada em solo Brasileiro, diferentemente do que a maioria das pessoas imagina ela é uma junção de ensinamentos africanos (orixás e culto aos antepassados), indígena (pajelança, elementais da natureza, magia por meio de ervas, curas em contato com outros seres) do catolicismo (o europeu que trouxe seus santos, muitas vezes sincretizados dentro da umbanda e os ensinamentos de Jesus cristo) e espiritismo (fundamentos de Kardec, reencarnação, lei do carma, progresso espiritual, etc).

A Umbanda possui diversas ramificações e não possui uma doutrina fixa ou um livro codificado com leis no qual se baseia. Existe umbanda de caboclo (com maiores influências indígenas) Umbandomblé, Umbanda traçada (com maiores influências do candomblé e de cultos africanos) e diversas outras de cunho esotérico, tais como a Umbanda esotérica, Umbanda iniciática, dentre outras.

A umbanda é uma religião que se baseia no mediunismo, os médiuns são “canais” de espíritos, tidos como guias espirituais de seus médiuns, que trazem as palavras do cristo, palavras de auxílio e sabedoria aos que precisam de seus conselhos. Há de se diferenciar casas tidas como “umbandistas” onde se cobram por trabalhos espirituais, onde se fazem trabalhos para fazer o mal de algum irmão, arrumar marido, ganhar dinheiro. Casas onde as iniciações são cobradas, onde os tidos guias espirituais “bebem” litros de pinga. Isso não é Umbanda e estes espíritos, não trabalham para luz.

Resumo abaixo algumas das principais idéias da Umbanda:

  • Trabalha-se exclusivamente visando o bem, a caridade e a evolução espiritual de todos.
  • A umbanda não realiza sacrifício de animais. A Umbanda não faz despacho em encruzilhadas, não suja a natureza, não cobra consultas e trabalhos, não faz trabalho de “amarração”!
  • A umbanda não cultua os ORIXÁS como sendo DEUSES, os ORIXÁS são manifestações de um DEUS UNO, manifestações das forças da natureza, cada orixá traz características desse UNO, é uma religião monoteísta.
  • A umbanda tem como local de culto a tenda, centro, terreiro, que é onde os umbandistas se encontram para realização de culto aos orixás dos seus guias, estes cultos geralmente recebem o nome de giras ou giras de caridade.
  • O culto em terreiros são divididos em giras abertas, consultas ao público em geral com os guias e um desenvolvimento mediúnico fechada aos médiuns da casa.
  • O chefe do culto geralmente é o sacerdote ou sacerdotisa ( babá, zelador, dirigente, diretor, mestre) e geralmente são médiuns com mais experiência e que fundaram o local.
  • Normalmente a ligação que se faz entre os encarnados e desencarnados ocorre por meio da incorporação, os médiuns “repassam” as informações recebidas aos consulentes – pessoas que vão às giras receber auxílio.
  •  Exús e pombagiras não são demônios ou seres atrasados,não são bêbados, nem promíscuos como pensam muitos, são nossos guardiões na Terra. Sem eles não se abre nenhuma gira de caridade, pois eles são responsáveis pela proteção do terreiro.

E pra finalizar deixo uma mensagem muito bonita!

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Xamanismo

“Tudo na Terra tem um propósito, cada doença uma erva pra curar, cada pessoa uma missão a cumprir. Essa é a concepção dos índios sobre a existência”. (Christine Quintasket- Índia Salish)

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Xamã e uma palavra de origem Tunguska (povo nativo da sibéria), designando uma pessoa que pode “voar” para outros mundos, entrar em um estado extático e ter acesso e contato com seus aliados (minerais, animais e vegetais) , seres de outras dimensões e espíritos ancestrais.

O Xamã é uma pessoa respeitada pela comunidade que lidera, com grande poder sobre os elementos da natureza e sabe que pode perder o poder a que está ligado se abusa ou o usa com fins que não sirvam a comunidade. As práticas de curas xamânicas são universais, é um legado do mundo espiritual para a humanidade. Não pode haver fronteiras.

Atualmente o xamanismo pode ser dividido em duas escolas. O xamanismo tradicional que segue tradições nativas e o neo-xamanismo que adapta a essência com práticas terapêuticas e linhas diversas numa realidade urbana.

Atualmente muitos xamãs, inclusive no Peru rezam pra Cristo e aceitam que Jesus foi um Xamã iluminado. Existem traços do Xamanismo em quase todas as religiões: no Budismo Tibetano, no Judaísmo, no Tantrismo, no Cristianismo.

HISTÓRIA

As raízes do xamanismo são arcaicas e alguns antropólogos chegam a pensar que elas recuem até quase tão longe quanto a própria consciência humana. Suas origens datam de 40.000 a 50.000 anos, na Idade da Pedra. Antropólogos têm estudado xamanismo nas Américas; do Norte, Central, Sul. Também na África, entre os povos aborígenes da Austrália, esquimós, Malásia, Senegal, no Tibete onde o xamanismo Bon segue a linha do budismo tibetano, ou seja, em todos os lugares ao redor do mundo. Seus traços estão presentes nas grandes religiões.

O primeiro tratado vem da Sibéria., esta fonte acredita que os homens/xamãs teriam emigrado durante as grandes glaciações seguindo um rebanho de renas. Eles passaram pelo estreito de Bering ou por uma ponte terrestre que ligava os 2 continentes e espalharam-se pelo mundo.  Encontram-se fenômenos xamânicos similares em todo mundo. Trata-se de um conjunto de práticas, evidentemente adaptadas a cada cultura , a cada crença, mas que em toda parte apresenta o mesmo conteúdo mágico, religioso e simbólico. Faz pensar que todos vieram de uma mesma fonte de conhecimento.

PRINCIPAIS IDÉIAS

O xamanismo aparece como um reflexo de um Grande Espírito que pode ter vários nomes. é honrando o criador e todas as suas criaturas, sejam pedras, animais, aves, plantas, peixes, insetos, águas, ventos e outras manifestações da natureza que compartilhamos a existência nesta vida. Essa consciência, esse alinhamento com as forças da natureza, transforma-se em poder de cura e expande habilidades psíquicas através da reconexão com a vida, com o Sagrado, com o mistério da criação.

No sentido do “religare” pode ser considerada uma religião, mas o xamanismo não é como um conjunto de ritos específicos que seguem seus mestres máximos como cristianismo (Cristo), budismo (Buda), islamismo( Maomé) , Taoísmo (Lao- Tsé), etc; cujas práticas são determinadas e que possuem livros sagrados de conduta em todos os lugares do mundo

O xamanismo se insere de acordo com a crença espiritual/religiosa local, o pensamensamento xamânico ensina-nos que tudo que acontece através da vontade soberana. Cada evolução vem ao seu tempo. Não se deve apressar o rio, mas aprender a tolerância e a paciência, um grande aprendizado. Não mudamos as forças do Universo, mas aprendemos a viajar nos ventos.

O xamanismo traz a consciência de que existe uma energia cósmica vital que está em constante movimento e é absorvida principalmente pela respiração e alimentação. Algumas tribos americanas chamam esta força vital de “mana”. Místicos do oriente a chamam de “prana”, os chineses de “chi” , os japoneses de “ki”

O xamã é sempre um figura dominante , mas não um avatar, profeta ou santo. Exercem as funções de curandeiros, líderes religiosos, conselheiros e terapeutas ao mesmo tempo. Medicinam religião e sabedoria, psicologia ou melhor: Corpo, espírito, mente  e emoções.

O xamã compreende o círculo sagrado da vida e recomenda, ajuda na cura, ensina o que é necessário para o bem da comunidade. Coloca sua comunidade em primeiro lugar.

O xamã é aquele que enfrentou sua sombra, aquele que enfrentou e venceu o medo da insanidade, da solidão, do orgulho, a vaidade, os vícios, e o passar por várias mortes em vida. Escolhe-se tornar um curador e visionário ao serviço das pessoas.

Os xamãs têm o poder de se comunicar e interagir com os espíritos da natureza e dos seus antepassados, com o objetivo de curar a pessoa doente ou possuída por espíritos maléficos.

O xamã atua como canal de cura. Tem o conhecimento do poder das plantas, pedras , dos espíritos dos animais e seres da natureza. O caminho xamânico conduz a  um relacionamento de amor com Mãe Terra. Não é possível praticar o verdadeiro xamanismo sem incluir os cuidados com a preservação da natureza, da vida em todos os reinos  em nosso planeta.

O foco das práticas xamânicas centra-se nos ritmos cíclicos da natureza: nascimento, morte e renascimento, a complementariedade no masculino e feminino, o contato pessoal com o ambiente da terra e com as forças da natureza, com o sol, a lua, as estrelas.

Utiliza em seus trabalhos de limpeza e de reequilíbrio energético instrumentos como o chocalho, tambor, flauta,cachimbo, pedras e cristais, ervas, danças e viagens xamânicas. Nessas viagens entramos em contato com a nossa essência e o nosso poder.

Os xamãs creem que possuímos todos uma força interior que podemos utilizar a nosso favor. Esta força vem codificada geralmente na Energia de um animal, que chamamos de animal de poder e ao conhecê-lo devemos prestar atenção nas suas características, habilidades e sutilezas, pois será através delas que o poder pessoal poderá se manifestar.

O xamanismo é universal e isto compreende que todos fazem parte da grande família humana e que tudo está interligado.

Quando percebemos a conexão Universal entre nós e todos os que viveram e que estamos todos ligados, conectados, compreendemos que todas as histórias fazem parte da nossa história. A consciência da conexão é vital ao aprendizado da convivência mútua. Ninguém vence sozinho. Todos temos a necessidade de nos conectar com algo fora de nós, com nossos companheiros de caminhada e com algo maior que nós todos.

No xamanismo, procuramos aprender com as vozes dos ancestrais, dos velhos, das tradições, das crenças.

Esse aprendizado é básico para podermos traçar o mapa de nosso caminho de acordo com o livre arbítrio.

Espiritualidade e Religião

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(Ekhart Tolle – Trecho do livro “O Despertar de uma Nova Consciência”)

Qual é o papel das religiões estabelecidas no surgimento da nova consciência? Muitas pessoas já reconhecem a diferença entre espiritualidade e religião. Elas compreendem que ter um sistema de crenças – um conjunto de pensamentos entendido como a verdade absoluta – não torna ninguém espiritualizado, não importa qual seja a natureza dessas convicções. Na realidade, quanto mais um indivíduo faz de seus pensamentos (crenças) sua própria identidade, mais se distancia da dimensão espiritual que existe dentro dele.

Muitas pessoas “religiosas” estão presas nesse nível. Para elas, a verdade equivale ao pensamento. Como estão completamente identificadas com o pensamento (sua mente), consideram-se detentoras exclusivas da verdade, o que é uma tentativa inconsciente de proteger a própria identidade. Elas não compreendem as limitações do pensamento. A seus olhos, qualquer indivíduo que acredite (pense) de modo diferente está errado. Num passado não muito distante, isso lhes serviria de justificativa para matar alguém. E ainda há quem faça isso hoje em dia.

A nova espiritualidade, a transformação da consciência, está surgindo em grande parte fora das estruturas das religiões institucionalizadas. Sempre houve bolsões de espiritualidade, até mesmo nas religiões dominadas pela mente, embora as hierarquias formais tentassem eliminá-los por considerá-los uma ameaça. O fato de que a espiritualidade está aparecendo em larga escala fora das estruturas religiosas é algo inteiramente novo. No passado, isso teria sido inconcebível, sobretudo no Ocidente, terra das culturas mais controladas pela mente, onde a Igreja cristã detinha uma franquia virtual da espiritualidade. Ninguém podia falar a uma platéia sobre esse tema nem publicar um livro sobre o assunto sem a autorização da Igreja, caso contrário seria silenciado.

Hoje em dia, porém, mesmo dentro de determinadas crenças e religiões, há sinais de mudança. Isso é confortador, e qualquer pessoa se sente grata pelos sinais de abertura, como foram as visitas do Papa João Paulo II a uma mesquita e a uma sinagoga.

Em parte como resultado dos ensinamentos espirituais que surgiram fora das religiões estabelecidas, mas também em decorrência da influência da antiga sabedoria do Oriente, um número cada vez maior de seguidores das religiões tradicionais tem sido capaz de deixar de lado a identificação com a forma, o dogma e um sistema de crenças rígido. Essas pessoas têm descoberto a profundidade original que está oculta em sua própria tradição espiritual ao mesmo tempo que encontram a profundidade dentro de si mesmas. Elas compreendem que seu “grau de espiritualidade” não está absolutamente relacionado com aquilo em que acreditam, porém que ele tem tudo a ver com seu estado de consciência. Isso, por sua vez, determina como alguém age no mundo e interage com os outros.

Aqueles que não são capazes de ver além da forma ficam mais arraigados a suas crenças, isto é, a seus próprios pensamentos.

Hoje em dia, estamos testemunhando não apenas uma influência sem precedentes da consciência como também uma resistência e uma intensificação do ego. Há instituições religiosas abertas à nova consciência, enquanto outras endurecem suas posições doutrinárias e se tornam parte de todas aquelas estruturas artificiais que o ego coletivo usa para se defender e “revidar”.

Algumas Igrejas e seitas, assim como determinados cultos ou movimentos religiosos, são em essência entidades egóicas coletivas, uma vez que se identificam rigidamente com suas convicções mentais, a exemplo do que fazem os adeptos de qualquer ideologia política fechada a todo tipo de interpretação alternativa da realidade.

Mas o ego está destinado a se dissolver, e todas as suas estruturas rígidas – sejam elas instituições religiosas, corporações, governos ou entidades de outro tipo – irão se desintegrar de dentro para fora, mesmo que pareçam estar profundamente protegidas.

As estruturas mais inflexíveis, as mais impermeáveis à mudança, serão as primeiras a desmoronar. Isso já aconteceu no caso do comunismo soviético. Por mais resguardado, por mais sólido e monolítico que se mostrasse, em poucos anos esse sistema se decompôs de dentro para fora. Ninguém tinha previsto esse fato. Todos foram surpreendidos. E há muito mais surpresas aguardando por nós.

A religião eterna – ou Sanatana Dharma

RAFA

No dia 25 de fevereiro, George Harrison completaria 70 anos se vivo estivesse.

 Além de ser um dos Beatles com uma carreira solo posterior super prolífica, George abraçou o hinduísmo e prosseguiu no caminho espiritual até sua passagem. Conheceu o fundador do Movimento Hare Krishna, Srila Prabhupada, e tornou-se um devoto incansável da suprema personalidade de Deus, Krishna.

O Movimento Hare Krishna, entretanto, é apenas mais um ramo da grande entidade espiritual que é o hinduísmo, ou Sanatana Dharma – a eterna fé. Há divergências sobre quais os requisitos que tornam o indivíduo hindu, mas existem pontos principais, como a crença nos Vedas, no karma e reencarnação. Muitos também são os preconceitos e névoa de desentendimento que circundam o hinduísmo.

É fato de conhecimento comum no ocidente que os hindus consideram a vaca um animal sagrado. No entanto, não é exatamente assim. As vacas apenas representam todas as criaturas, que são sagradas. Lembro de ler um artigo em que Srila Prabhupada rebate um padre católico que dizia que o ser humano é superior em relação aos outros animais, que por sua vez devem nos servir. Srila Prabhupada compara então a vaca à nossa própria mãe, que nos nutre e alimenta. Ela, extremamente altruísta, fornece inúmeros insumos pegando nada além de grama e grãos. Os hindus, portanto, tendem a ser vegetarianos, se utilizando do leite para produzir iogurte, ghee (manteiga clarificada) e sorvetes, por exemplo. O vegetarianismo também tem suas raízes no princípio da não-violência: ahimsa.
Mahatma Gandhi e seu movimento de independência da Índia são firmemente calcados nesse principio.

Existe inclusive a crença geral de que os hindus adoram imagens. O que acontece é justamente o contrário. Deus, de acordo com a concepção presente nos Vedas, é uma entidade que permeia a tudo e a todos. As esculturas e quadros são apenas uma forma de invocar a presença de Deus. A yoga e meditação servem ao mesmo propósito, acordando a presença divina dentro de nós mesmos, nesse maravilhoso templo que é a alma.

Reencarnação é um assunto recorrente hoje, todos conhecemos alguém que acredita nesse princípio. No ocidente ele se propagou principalmente através do espiritismo de Alan Kardec, mas sempre fez parte das religiões orientais, tais como as várias correntes do hinduismo, budismo e jainismo. No Bhagavad Gita, texto de mais de 5000 anos, Krishna diz a Arjuna:

“Nunca houve um tempo em que Eu, ou você ou qualquer um desses reis aqui presentes não existiram. E todos nós certamente iremos existir no futuro também.”

A consciência e a alma nunca podem ser destruídas. Apenas o corpo material perece. A alma não tem nascimento ou morte, nem deixa de ser. Quando aprende todas as lições, alcança moksha – a liberação, ou iluminação. Não mais se manifestará nesse corpo físico. A alma vive no corpo astral, e mais internamente, no corpo causal. Nunca para de evoluir. Mas isso é assunto para um outro post.

O karma, também conhecido por nós, não é nada mais do que o princípio universal de ação e reação que governa toda a vida. Deus não nos pune por coisa alguma, como é pregado em tantos setores cristãos. O que acontece em nossas vidas decorre das ações passadas, da energia que emana dos pensamentos, palavras e atos. Do mesmo modo que não pode ser chamado de pagamento de pecados, também não é destino. É uma energia em constante movimento, nada predeterminado.

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“Ele é Brahma. Ele é Shiva. Ele é Indra. Ele é imutável, o supremo, o que possui brilho próprio. Ele é Vishnu. Ele é vida. Ele é fogo e Ele é a lua.”

Esse trecho retirado dos Vedas, a escritura sagrada composta por 4 conjuntos de textos, conceitua a idéia de Deus, que não é muito diferente do que escutamos hoje nos círculos espiritualistas. Deus como luz, presença impessoal e que se manifesta em todos os seres e situações. Há também o pai que deseja que seus filhos saiam dessa roda do samsara, que nunca para de girar.

Deus vive dentro de cada alma, coração e consciência, esperando para ser descoberto. Os inúmeros deuses são na verdade diferentes modos de se referir ao Uno. Cada um deve ter a liberdade de abordar o assunto da forma como lhe parecer verdadeira. Existem técnicas para aumentar a percepção de Deus, tais como a oração, cantos, yoga e meditação.

Como uma vez escreveu George Harrison: “Se há um Deus, eu quero vê-Lo.”

OM SHANTI SHANTI SHANTI 

CRÉDITOS:

Rafaela Batista